Paladar

Affligem: as belgas e a corrida de preços

23 fevereiro 2012 | 14:14 por Roberto Fonseca

Affligem Blond (Bélgica, 330ml)

Produtor: Cervejaria Affligem (ex-De Smedt), controlada pela Heineken

Ficou com água na boca?

Importador: Brazil Ways, de Curitiba (PR)

Preço: a partir de R$ 9

Estilo: Belgian blond ale

Teor alc.: 6,8%

Cor: Dourado médio, translucidez média a baixa

Espuma: Branca, média a alta formação, consistente, de alta duração

Aroma: Malte, adocicado, levedura, condimentado(cravo), frutado (banana), cítrico

Sabor: Malte, levedura, condimentado (cravo), leve picante, cítrico destacado, final seco e de grãos, leve oxidação metálica. Corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta.

Nota 3,7 em 5Boa blond ale, com bons aroma e sabor, além de final seco interessante. Oxidação metálica suave atrapalhou um pouco, mas pode ser problema pontual.

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Affligem Tripel (Bélgica, 330ml)

Preço: a partir de R$ 13

Estilo: Ale / Belgian tripel

Teor alc.: 9,5%

Cor: Dourado escuro, quase castanho claro, translucidez média a baixa

Espuma: Branca, média formação, média a baixa duração

Aroma: Malte, adocicado (nota açucarada), frutado (banana?), condimentado, leve cítrico.

Sabor: Malte, adocicado moderado, cítrico, condimentado, leve picante, final seco, levedura e leve nota de esmalte. Amargor baixo (dentro do estilo), corpo médio a alto, carbonatação idem.

Nota 3,5 em 5 – Boa tripel, onde nota de banana aparece um pouco mais do que em outros exemplares mais conhecidos do estilo (como Tripel Karmeliet e Westmalle), mas em bom equilíbrio com notas cítricas e condimentadas.

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Affligem Dubbel (Bélgica, 330ml)

Preço: a partir de R$ 11

Estilo: Ale / Belgian dubbel

Teor alc.: 6,8%

Cor: Castanho escuro, brilho avermelhado, translucidez baixa

Espuma: Bege, alta formação e média a alta duração

Aroma: Malte caramelo, nota suave de frutas escuras, condimentado, leve cítrico

Sabor: Malte caramelo e tostado/torrado, adocicado inicial, frutas escuras, acidez moderada, condimentado, final seco e com malte caramelo e um quê de malte torrado. Corpo médio a baixo, amargor idem, carbonatação média a alta.

Nota 3,2 em 5 – Bom aroma inicial, mas poderia mais presença de malte, tanto em corpo quanto em complexidade no aroma e sabor. Mas tem boas notas frutadas e condimentadas.

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A cerveja aí de cima é uma das 18 produções belgas que têm direito de usar o selo que define as cervejas de abadia naquele país europeu. Para tanto, devem ter, entre outros condicionais, suas receitas aprovadas ou elaboradas sob supervisão de uma ordem religiosa, e parte da renda revertida em ações de caridade. A Affligem tem sua história ligada à cervejaria De Smedt, que, segundo o Oxford Companion to Beer, teve a família homônima como controladora única de 1832 a 1984. Naquele ano, a família vendeu metade das ações da empresa ao gerente Theo Vervloet. A outra metade foi repassada, em 1999, à Heineken – a multinacional holandesa adquiriu o restante das ações de Vervloet quando ele se aposentou, em 2010. Há, porém, um acordo de que as cervejas da Affligem sejam produzidas apenas na Bélgica até 2031 – hoje, a produção fica em Opwijk, a noroeste de Bruxelas. Voltando um pouco no tempo, em 1970 a De Smedt assumiu a produção da abadia beneditina de Affligem e, alguns anos depois, também criaram receitas para outra abadia, a de Postel.

As Affligem “correm” numa faixa de mercado bastante povoada – a das cervejas belgas -, e seu preço é maior do que o das Leffes, trazidas pela AB-Inbev, mas a comparação de poder de fogo da multinacional com a importadora das bekgas recém-chegadas é desproporcional. Mesmo assim, as Affligem têm relação custo-benefício bem satisfatória, em especial a Blond, que sai a partir de R$ 9 e fica na mesma faixa das Brooklyn e da Samuel Adams em pontos de venda. Apesar de ter notado leve oxidação metálica na garrafa degustada, fiquei curioso em prová-la de novo para checar se é problema pontual.

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