Paladar

Alguns copos exóticos para cerveja

29 novembro 2012 | 01:05 por Roberto Fonseca

Confesso que pensei em abrir este post com a foto de um copo antigo que tenho, do bar Pinguim, de Ribeirão Preto. Trata-se de uma reprodução, em vidro, de um torso feminino, com partes avantajadas, vice-versa. Mais Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo, impossível – só se tomasse cerveja usando a gravata dele de mulher seminua. Ponderei, porém, que deveria fazer uma relação dos mais estranhos recipientes onde colocamos as fermentadas apenas com itens produzidos para rótulos específicos e que estejam disponíveis no Brasil.

Partindo deste levantamento, cheguei ao sexteto abaixo. Alguém se lembra de mais algum copo estranho ou curioso ligado a uma marca de cerveja? Mandem suas sugestões.

1) MONGOZO COCONUT

Ficou com água na boca?

O “copo” da Mongozo. Com dois, dá até para tirar um sonzinho (Foto: Felipe Rau/Estadão)

OK, a Mongozo Coconut, que, como sugere o nome, leva coco na composição, é bem “exótica” – a presença do ingrediente pesou demais na receita. Mas não dá para negar que o coquinho chama atenção na mesa ao lado. Ainda tem uma base de fibras trançadas para sustentá-lo. Não sei bem como deve ser feita a higienização do recipiente.

Ideal para: quem aprecia exotismo ou festas temáticas dos anos 80.

 

2) ROGUE CHIPOTLE

A taça da Rogue Chipotle. Calma que não é peiote (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Taça “temática” para a receita da cervejaria norte-americana que leva pimentas Chipotle na composição. A cerveja até é interessante. O recipiente, porém, parece mais com aqueles destinados a margaritas.

Ideal para: festas temáticas mexicanas ou para aquele sujeito fã dos anos 80 que já se interessou pelo coquinho acima.

 

3) DIABOLICI

Taça da Diabolici: é para lavar só a parte de vidro, hein? (Foto: Felipe Rau/Estadão)

A avaliação do Ratebeer para a cerveja não me animou muito a comprá-la, mas o desenho da garrafa e, principalmente, do copo são bastante chamativos.

Ideal para: pessoas sem tendências desastradas (a “ampola” de vidro desliza com facilidade), fãs da temática medieval ou colecionadores de itens diabólicos.

 

4) DIVINA WEISS

Copos da Divina Weiss: meu garoto, meu pai pai (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Despejar o fermento do fundo da garrafa no copo ou deixar dois dedos de líquido na garrafa? A dúvida vem à mente no caso de algumas cervejas belgas – há casos em que há recomendação direta no rótulo para que a levedura do final não seja misturada. A Hopus, por exemplo, colocou no mercado um copinho para ser levado à mesa ao lado do recipiente “original”. Assim, o fundo da garrafa é despejado nesse copinho e fica a cargo do degustador ingeri-lo ou não. A Divina Weiss, cerveja de trigo que leva guaraná na composição, usou o mesmo conceito. O copinho no formato de “joão bobo” escolta a versão grande para receber a parte mais turva do líquido. Mas não se empolgue a ponto de dar um peteleco no copinho; ele não vai voltar e você tende a molhar a mesa.

Ideal para: quem não é fã de leveduras no fundo da garrafa ou está à mesa com um amigo e quer fazer piadas (de gosto duvidoso) sobre o quanto cada um vai tomar da cerveja. Algo como: “Você, que está de regime, vai ficar com o copinho!”

 

5) KWAK

O copo da Kwak com base de madeira: quero ver conduzir uma carruagem após alguns destes… (Foto: Felipe Rau/Estadão)

O mais clássico dos exóticos. Reza a lenda que ele foi criado por um dono de taberna para atender os condutores de carruagem que não podiam entrar e tomar sua cervejinha – falta de vagas em Zona Azul ou a obrigação de esperar a “madame” e o “doutor” na porta? As carruagens tinham suportes parecidos com este de madeira de foto acima para segurar os copos. Bom caso de coincidência entre bom recipiente e boa cerveja.

Ideal para: fãs da cerveja belga, condutores de carruagem – os que ficam em cima dela – ou artistas organizadores de corrida de carruagem na Marginal do Rio Pinheiros. Também pode ser tomada vendo o filme “Carruagens de Fogo”. Alguma outra ideia envolvendo carruagens?

 

6) DADO BIER ILEX

A cuida da Dado Bier Ilex: mas não é para meter a bomba, tchê! (Foto: Roberto Fonseca/Arquivo Pessoal)

Um pecado mortal ter esquecido deste bravo concorrente a copo mais exótico, ainda mais porque eu o tinha na minha cristaleira. Antes que eu seja impedido de entrar no Rio Grande do Sul, ou pior, no Bierkeller, corrijo esta falha. Trata-se da cuia de vidro, similar à de chimarrão, criada para a Dado Bier Ilex, uma lager que leva, adivinhem? Sim, erva-mate.

Ideal para: gaudérios em geral (no sentido regional do Rio Grande do Sul, hein?) e fãs de copos com couro, como o da Grozet Gooseberry & Wheat Ale, da Williams Brothers (Escócia).

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