Paladar

Barley BB10°: o cervejeiro viu a uva

22 junho 2010 | 13:16 por Roberto Fonseca

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A cerveja aí de cima é mais um exemplo de que os italianos são, atualmente, o povo mais inventivo da Europa quando o assunto é cerveja. Sem uma escola cervejeira tradicional a preservar, como alemães, belgas, ingleses e tchecos, os habitantes da Bota puderam, sem remorso, tentar todo tipo de receita, com os ingredientes que estivessem à mão. É o caso da Barley, que fica em Maracalagonis, na Sardenha, a cerca de 20 quilômetros de Cagliari. Situada em uma região que tinha os maiores índices de consumo de cervejas industrializadas – e sem graça – da Itália, o cervejeiro Nicola Perra resolveu ousar.

Depois de seis anos produzindo receitas em casa – que foram o laboratório para as produções que viriam a seguir -, decidiu abrir seu empreendimento cervejeiro em 2006 – a primeira brassagem, ou processo de produção da cerveja, ocorreu dia 6. A linha, que começou com três receitas – Friska, Sella del Diavolo e Toccadibó -, hoje tem oito cervejas, entre elas a sazonal BB10°, que leva, em sua composição, o mosto (líquido adocicado resultante do aquecimento de grãos ou frutas) de uvas locais, chamadas Cannonau. A ideia de Perra, assim como a de outros cervejeiros locais, é não apenas usar ingredientes inusitados, mas também valorizar produtos da região. Por isso, a BB10 só é produzida uma vez ao ano, na época de colheita das uvas, e em edição limitada – 1000 garrafas. A cerveja já faturou alguns prêmios locais na Itália, e é bem cotada em sites de avaliação coletiva como o Ratebeer.

Ficou com água na boca?

Por isso, foi enorme a expectativa quando ganhei uma garrafa dela de presente do Riccardo Franzosi, cervejeiro da Montegioco, depois de visitar a fábrica. E ela só aumentou ao provar as outras cervejas que tinha trazido de viagem, todas em um nível de qualidade alto. Mas a degustação, em abril, foi um pouco frustrante, mais pela ansiedade criada do que pela cerveja em si. Como se pode ver acima, ela tem bons elementos, mas esperava que o principal deles, a uva, estivesse mais em destaque. Por se tratar de uma garrafa de 750ml de uma cerveja de 10% de teor alcoólico, resolvi pedir reforços para degustá-la, e o fiz com o nobre amigo e blogueiro cervejeiro Paulo Feijão, que já postou suas impressões em seu site. De minha parte, ainda faltam oito cervejas trazidas da Itália para completar a série de degustações. Ao trabalho!

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