Paladar

Cavalheiro procura damas lupuladas

06 dezembro 2010 | 22:09 por Roberto Fonseca

DIRETO AO PINT

Dama Bier India Pale Ale (Brasil, 600ml)

Preço da compra: R$ 10

Ficou com água na boca?

Estilo: India Pale Ale

Teor alc.: 6,5%

Aroma: Malte, caramelo, leve lúpulo (herbal/cítrico?), frutado suave inicial

Sabor: Malte, toffee, lúpulo suave que some rápido, dando lugar a adocicado e final seco discreto. Amargor médio a baixo para o estilo, corpo médio a baixo, carbonatação média a alta, leve acidez.

Cor: Castanho escuro, translucidez média a alta

Espuma: Bege clara, média formação e média a baixa duração

Nota 3,0 de 5 – Apesar de muito sutil, aroma de lúpulo é mais promissor do que o sabor. Mesmo parecendo mais próxima à escola inglesa de IPAs, lupulagem no aroma e sabor poderia ser mais pronunciada para não deixar o malte dominar. Entre as congêneres brasileiras do estilo, a Falke Estrada Real e a Colorado Índica (esta última mais próxima da escola americana) se destacam mais.

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Não, não se trata de obsessão o fato de o blog ter abordado, nas últimas semanas, ao menos quatro exemplares de India Pale Ales em suas variantes – Imperial, Double e Belgian Style. É apenas uma coincidência de mercado o fato de, na última quarta-feira, depois de uma maratona automobilístico-eleitoral pelo Itaim, ter parado para almoçar no Empório Alto dos Pinheiros e dado de cara com a garrafa aí de cima.

Para quem não conhece, a Dama Bier é uma microcervejaria de Piracicaba – mesma terra da Cevada Pura -, aberta em 2009 por parentes dos donos da Cervejaria Bamberg, de Votorantim. O nome é ligeiramente diferente da Dana Bier, a finada nanocervejaria/loja cervejeira de Aldeia da Serra. A India Pale Ale da Dama é a quarta receita da marca, que já conta com uma pilsen, uma weiss e uma munique dunkel.

Embora pareça “puxar” mais para uma india pale ale inglesa – longe das lupulomaníacas e cítricas versões americanas -, a receita da Dama carece de um pouco mais de personalidade, no caso traduzida em um tanto a mais de lúpulo, seja aromático, seja – e principalmente – no sabor. A cerveja não tem defeitos, é agradável até, mas, em um mercado com Índica e Falke Estrada Real em boas condições, não agrega. De todo modo, olhando pelo lado bom, a ideia da receita foi boa, por fugir um pouco da trilogia “pilsen/’cerveja escura’/weiss” que tanto tem pautado a produção das micros brasileiras.

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