Paladar

Chopp Ijuhy: da terra do Dunga, uma cerveja ‘esforçada’

20 janeiro 2010 | 11:00 por Roberto Fonseca

Ficha chopp Ijuhy

Em tempos pré-copísticos, essa cerveja caiu do (e não no) meu colo, literalmente. Trazida pelo chapa Adriano da fábrica em Ijuí (RS), ela veio de carro até a capital paulista, com ponto final na minha geladeira. Antes, porém, passou por um solavanco. Outro chapa, o Guedes, que atuou como “receptador” da mercadoria, a entregou para este que escreve em uma sacola de papel. Ao levantá-la do fundo do carro, o resultado de 10 minutos de fenômenos químicos (vide “a perda de resistência do papelão molhado” em “você é pior que baú de papelão na chuva”) fez o fundo da embalagem se romper uma fração de segundos após ela ser erguida. Por sorte, o sifão aguentou, além da pressão do chope, o choque mecânico.

A produção do Chopp Ijuhy começou em abril de 2006, na cidade homônima, mais conhecida por ter sido berço do ex-jogador e atual técnico da Seleção brasileira de futebol, Carlos Caetano Bledorn Verri, ou apenas Dunga. Por ora, produzem uma receita de pilsen e uma de malzbier. Provei a primeira, que veio dentro do sifão. “Moda” em cervejarias do Sul, era uma cerveja não filtrada, com fermento, que, se por um lado tira o brilho do líquido, por outro preserva mais seus aromas e sabores.

Ficou com água na boca?

Não esperava por uma pilsen alemã ou checa, pois mesmo as microcervejarias brasileiras, salvo raras exceções – a Bamberg, que produziu a Tcheca para os cervejeiros caseiros da Biertruppe, e a Wäls, com sua bohemian pilsner, me vêm à cabeça de imediato -, têm um certo receio em adicionar mais lúpulo às suas crias. Talvez por isso, não tive um “impacto negativo” na degustação. Trata-se de uma cerveja simpática, com aroma e sabor de malte e algum lúpulo, bem mais agradável de ser consumida do que uma “loura” industrial (novamente no campo das exceções, creio que ficaria atrás da Heineken pelo amargor, não pelo malte). Resumindo, uma pilsen “esforçada”, com alguns bons momentos. Qualquer semelhança com o outro “filho ilustre” da terra é mera coincidência?