Paladar

Coffee break 1: Meantime Coffee Porter, ou como cada um vê o café

06 agosto 2009 | 17:03 por Roberto Fonseca

Ficha Meantime Coffee Porter

A cerveja aí de cima faz parte da nova leva trazida ao País pela Brazil Ways, do Paraná. Já era fã da Meantime IPA, na minha opinião a melhor india pale ale à disposição por estas bandas. Logo que vi a Coffee Porter, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi colocá-la para “brigar” com a Colorado Demoiselle, também uma porter com adição de café, produzida em Ribeirão Preto.

Dando a vantagem do pontapé inicial ao visitante, comecei pela Meantime. Em linhas gerais, posso dizer que gostei de o aroma da cerveja ter, além do café, boas notas de chocolate e, creio, algum toffee com o passar do tempo. Mas, por outro lado, como já disse na ficha, faltou o aroma de café ser mais persistente e o corpo, mais destacado (para dar aquela impressão de um cafezinho “encorpado” na xícara). De acordo com a Meantime, o café usado veio de Ruanda (Fairtrade Arabica Bourbon). Prêmios a cerveja tem em boa quantidade: faturou ouro na World Beer Cup de 2006 em San Diego, nos Estados Unidos, na categoria de cerveja com café; e melhor cerveja especial com café no World Beer Awards de 2007 e 2008.

Ficou com água na boca?

Finda a degustação já no meio da madrugada (o horário que tem me restado para as provas cervejeiras), fiquei matutando sobre a Meantime. Tendo provado já cinco cervejas diferentes com adição de café – duas delas em diferentes estágios de teste -, aprendi que o tipo de grão usado faz uma diferença danada. No geral, grãos de qualidade inferior (ou pó, usado em um dos experimentos) podem deixar o sabor bem mais “áspero”, o que atrapalha um pouco. Como não provei o café de Ruanda em atuação “solo”, não sei se é bom, como alguns dos que são produzidos aqui no Brasil.

Da especulação agrícola-cafeeira, parti para uma sessão de “sociologia etílica”, modalidade que faz muito sucesso em mesas de bar, churrascos e eventos congêneres. Fiquei pensando com meus botões se a visão que outros países têm do café – ou, melhor dizendo, “chafé”, dada a mísera proporção de grãos moídos diluída em água – não teria influído também na receita da Meantime. Afinal,uma cerveja com café tende a reproduzir a noção que seu criador tem do café.

A diferença de força do café no conjunto da receita e de corpo ficou evidente na degustação lado a lado da Meantime com a Demoiselle, ambas servidas em pints. A análise da cerveja brasileira vem na sequência, com um “bonus track” mais adiante. Aguardem…