Paladar

Dado Bier Bock: quebra de serviço?

25 julho 2009 | 21:32 por Roberto Fonseca

Ficha Dado Bier Bock

A “quebra de serviço” a que me refiro no título é uma expressão comum no tênis, usada no momento em que o jogador que tem direito a sacar durante todo um game o perde, ou tem o “serviço quebrado”. Foi a primeira imagem que me veio à cabeça ao provar a Dado Bier Bock. “Pô, mas os caras tinham lançado cervejas tão diferentes, vinham numa sequência boa de sacadas, o que será que aconteceu?”, pensei com meus botões. Mas, mais do que simplesmente avaliar – e criticar – a cerveja em questão, acho que cabe observar o histórico dos últimos lançamentos da Dado Bier no mercado e como a Bock se encaixa nele.

Depois de uns bons anos sem produzir cerveja, apostando na parceria com uma grande empresa cervejeira e em casas temáticas – quem tem lá seus 30 e poucos anos deve se lembrar da choperia Dado Bier em São Paulo -, a cervejaria gaúcha voltou a apostar em receitas próprias. Começou com um quarteto “básico”: Pilsen, Weiss, Red Ale e Royal Black, das quais as duas últimas são as mais chamativas. Em 2007, passou a ousar mais, primeiro com uma belgian ale interessante – apesar de, contrariando a tradição belga, não usar açúcar de beterraba. Depois, com uma “polêmica” cerveja com erva-mate que, para este que escreve, é bastante válida pelo conceito do uso de ingrediente brasileiro na receita, gostem dela ou não os degustadores. Mais adiante, veio a parceria com os cervejeiros caseiros Ricardo Rosa e Mauro Nogueira, que deu ao(s) copo(s) a Double Chocolate Stout, muito boa.

Ficou com água na boca?

Aí, começou uma aposta na outra ponta, com o lançamento da Dado Bier Lager, cerveja “de trabalho”, para ser consumida em larga escala. O lançamento coincidiu com o início das vendas das versões “litrão” (na verdade, 970ml) e lata, e a transferência da produção de Porto Alegre para uma fábrica em Santa Maria. Como já havia escrito no lançamento da Lager, todo esse processo indica que a Dado criava um “lastro” de cervejas com mais saída para bancar seus produtos mais ousados. Embora não tenha tido informação objetiva nesse sentido, creio que a Bock, pelo formato “litrão” e pelo preço próximo ao da Lager, seja mais um passo na criação da retaguarda financeira da cervejaria. Uma cerveja, possivelmente, para brigar com a Kaiser Bock e também com receitas escuras “carameladas”, cuja propaganda tende a se intensificar no inverno.

Resumo da ópera: não é uma cerveja ruim, mas também acho que ela fica devendo em termos do estilo bock pelos motivos descritos na ficha. No entanto, sigo pondo fé na Dado Bier. Afinal, se meus cálculos estão certos, logo logo chega a Double Chocolate Stout em versão garrafa, essa sim, uma cerveja que aqueceria bem no inverno. A ver, a ver…