Paladar

Falke Vivre: quando a acidez vem para o bem

15 março 2010 | 11:00 por Roberto Fonseca

Ficha Falke Vivre. Foto da garrafa: Falke Bier

Se descontarmos as cervejas do Seu Rupprecht Loeffler na Canoinhense, cuja disposição em tanques abertos e barris de madeira lhes conferem notas ácidas e acéticas, podemos classificar a Vivre pour Vivre da Falke Bier como primeira receita de sour ale brasileira feita por uma microcervejaria. Sour, em português, quer dizer azedo, palavra que geralmente associamos com sensações negativas, principalmente em cerveja, onde, na maioria dos casos, significa falha no processo de produção. Há uma linhagem da nobre bebida, porém, em que essas características fazem parte do processo de produção: nela, estão sour ales como a receita da Falke Bier, que leva jabuticabas em sua composição.

Segundo Marco Falcone, um dos sócios da cervejaria, a Vivre teve como base um lote da tripel Falke Monasterium em que, há alguns anos, se constatou fermentação láctica – resultado de ação de bactérias. Sem a cerveja em condições adequadas para fermentar e se tornar a tripel padrão, Falcone resolveu fazer uma experiência. “Abri as garrafas, peguei suco de jaboticabas e adicionei com um pouco de fermento, para gerar carbonatação novamente”.  O resultado da “ressuscitação” da cerveja ficou bastante interessante, embora as características acéticas e frutadas pudessem ser um pouco mais intensas, fatores que nas próximas levas, já com a experiência e controle do processo, podem ser ajustados com facilidade. Mas, sem dúvida, trata-se de uma recompensa pela ousadia do Falcone em ver a oportunidade em um lote que seria perdido. Enquanto uns entopem a cerveja que deu errado com corante caramelo e vendem como malzbier, outros colocam testes inovadores em prática.

Ficou com água na boca?

Se o cervejeiro permite a sugestão do blogueiro enxerido, acho que a Vivre ficaria ainda melhor se maturada em barris de madeira, ainda mais se tiverem sido usados anteriormente para abrigar outras bebidas. Depois da experiência adquirida por ele na viagem às cervejarias da Itália, há uma boa chance de a ideia já estar sendo trabalhada a todo vapor. Em tempo, outra curiosidade sobre a Vivre: o nome e o rótulo da cerveja são inspirados no filme Vivre pour Vivre (ou Viver por Viver), do francês Claude Lelouch, lançado em 1967. Nas degustações da Vivre – limitadas, já que havia apenas 300 garrafas, mas também planos de repetir a dose -, Falcone executa a trilha sonora do filme.

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