Paladar

Melhores de 2011, parte 29: Ricardo Amorim

18 janeiro 2012 | 22:34 por Roberto Fonseca

Ricardo Amorim (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Ricardo Amorim, jornalista, cervejeiro caseiro e dono do blog Cerveja Só, do Rio de Janeiro (RJ):

Melhor lager nacional
Bierland Viena. Belo equilíbrio entre malte e lúpulo, numa receita que prova que a presença de um sommelier no staff da cervejaria, no caso o meu camarada Paulo “Feijão” Bettiol, faz toda a diferença quando se busca uma experiência sensorial completa.

Ficou com água na boca?

Melhor ale nacional
Bamberg Alt. Em garrafa ou no chope (um néctar), se destaca onde é servida. Notas de malte e caramelo com um final seco e amargo, que pede outro gole, mais outro, e outro… Não à toa levou uma medalha de bronze no Australian Beer Awards 2011. Aqui, ela leva ouro.

Melhor lager importada para o Brasil
Brooklyn Lager. Uma das melhores relações custo-benefício entre as importadas. É uma cerveja leve e refrescante graças ao perfeito equilíbrio entre as notas carameladas do malte e os aromas e o amargor de sua interessante combinação de lúpulos, turbinada pelo dry hopping. Cerveja honesta pro dia-a-dia, até porque não pesa tanto no bolso.

Melhor ale importada para o Brasil
BrewDog Punk IPA. Como minha seleção está ligeiramente tendenciosa para o lado mais amargo da vida, isto é, as cervejas lupuladas, vou votar nessa IPA da BrewDog que, apesar de escocesa, parece americana, com seu aroma cítrico e amargor intenso, típico das melhores IPAs dos Estados Unidos (ou seriam APAs?). Outro fato que me surpreendeu nesse rótulo foi sua versão em lata. Todo mundo tem ou já teve algum preconceito com a cerveja enlatada, eu mesmo sempre tendo a achar que vou sentir algum sabor metálico. A Punk não só acabou com esse mito (pelo menos pra mim) como se revelou ainda mais fresca em sua inconfundível latinha azul claro.

Melhor cerveja caseira
Aqui eu confesso que vou roubar um pouquinho no jogo, mas por uma boa causa. Escolhi a Hopium não só porque ela é uma ótima American Pale Ale, mas porque tem algo a ensinar aos cervejeiros caseiros que um dia pretendem se profissionalizar. Inspirada nas receitas dos homebrewers da Confraria do Marquês (Mauro Nogueira, Tiago Dardeau e André Nader), com o auxílio luxuoso do Diego Baião, do Boteco Colarinho, a Hopium é um bem acabado exemplo de como sair do fogão de quatro bocas para uma cervejaria industrial. Seus 1.200 litros, produzidos na Alegra, em Curicica, Zona Oeste do Rio, estão sendo consumidos quase que exclusivamente no Colarinho, com todos os registros e impostos devidamente recolhidos. É assim que se faz a revolução: com bons produtos, mas também com bom senso e responsabilidade. Parabéns pela iniciativa!

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Firestone Walker Parabola. Confesso que não tomei a versão 2011, mas tive a oportunidade de degustar essa russian imperial stout no Great American Beer Festival (GABF) de 2010. Como confio nos cervejeiros da Firestone, vou incluir esse néctar na seleção do ano passado, pois ela está entre as melhores cervejas que já provei. Apesar de seus incríveis 12,5% de teor alcoólico, é equilibrada, aveludada, mistura notas de chocolate, torrado, frutas secas e um amargor final de lúpulo e de torrefação arrematado por notas de baunilha e madeira (é envelhecida em carvalho). Em tempo: a versão 2012 sai em abril. Alguém nos EUA compra pra mim?

Novidade do ano
Beer Experience. Talvez o evento cervejeiro brasileiro que mais se aproxima do já mítico GABF. Já em sua primeira edição, realizada no final de agosto em São Paulo, mostrou profissionalismo e conhecimento de causa por parte dos organizadores. Bela seleção de rótulos e expositores, com excelente comida e boa música, tudo o que uma festa cervejeira precisa ter. Aguardo ansiosamente as próximas edições.

Melhor fato cervejeiro
A expansão do mercado. O mercado brasileiro de cervejas especiais cresce exponencialmente, como em outras partes do mundo, diga-se. Novos consumidores estão se formando, donos de bares e restaurantes reformulam suas ofertas e já incluem a bebida em cartas especiais, novos profissionais se aventuram no negócio e cada vez mais a cerveja está nos jornais, revistas, sites e redes sociais. Isso é extremamente positivo e vem muito mais por aí!

Pior fato cervejeiro
A expansão do mercado. O mercado brasileiro de cervejas especiais cresce exponencialmente, como em outras partes do mundo, diga-se. Acontece que ele continua pequeno, muito pequeno. E já está cheio de gente querendo a sua parte, de preferência em dinheiro, em vez de contribuir para que ele cresça ainda mais e beneficie a todos. Tenho visto egos inflados, demarcação de territórios (ilusórios), oportunismo, arrogância e muita desinformação travestida de conhecimento. Isso é extremamente negativo e espero que NÃO venha mais por aí!

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