Paladar

Melhores de 2011, parte 36: João Gabriel Amstalden

22 janeiro 2012 | 16:45 por Roberto Fonseca

João Gabriel Margutti Amstalden (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de João Gabriel Margutti Amstalden, do blog Panela de Malte, de Santo André (SP):

Melhor lager nacional
Wäls Pilsen. Excelente exemplar nacional de uma verdadeira Pilsner. Lúpulo Saaz muito bem empregado confere um aroma floral maravilhoso.

Ficou com água na boca?

Melhor ale nacional
Backer 3 Lobos Exterminador, deve ser a primeira american wheat feita por uma cervejaria nacional (nota do blog: há dúvidas sobre se a finada Baden Baden Celebration Verão, anterior à receita da Backer, não seria uma american wheat). Agradou-me bastante por ter notas lupuladas cítricas e herbais bem presentes, o que acaba tornando-a uma opção diferenciada das outras cervejas de trigo encontradas no mercado nacional.

Melhor lager importada para o Brasil
Einbecker Ur-Bock Hell.  “Ohne Einbeck gäb´s kein Bockbier” (Sem a Einbeck, não haveria cerveja Bock). Achei legal a vinda dessa pioneira no estilo bock para o Brasil. Essa helles-bock foi uma surpresa positiva no mercado, encorpada, bastante intensidade de malte e lúpulo que traz um equilíbrio perfeito. Cai muito bem para o clima nacional, mas não apenas é refrescante, tem sabor e caráter.

Melhor ale importada para o Brasil
Essa é complicada, visto que a grande maioria dos estilos conhecidos entram na categoria de ale. Votarei em uma então que para mim não se encaixa em nenhum deles, pois é uma cerveja única, a trapista Orval. A história e lenda por trás da abadia e da cerveja é digna de um filme. “Goüt d´Orval” é uma expressão utilizada por cervejeiros para tentar explicar seu sabor tão diferente. Significa essência, ou mesmo espírito, por isso ela é tida como uma cerveja do tipo ame ou odeie. Eu amo.

Melhor cerveja caseira
Nunes & Levy Toicinho. Campeã do sexto Concurso Nacional das Acervas no estilo Rauchbier em 2011, realizado em Santa Catarina. Foram adicionados bacon e gordura de porco à lenha durante a defumação do malte, o que conferiu notas defumadas bem intensas ao produto final. Além disso, por se tratar de uma lager, o que dificulta um pouco o processo quando o assunto é cerveja caseira, é de se impressionar a qualidade dessa receita feita em Santo André (SP).

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Brooklyn Blast IPA. Marcou por eu tomar diretamente da “teta da vaca” na cervejaria em Nova York. Talvez o frescor com que a degustei fez com que os lúpulos (uma bela seleção deles, por sinal) estivessem “vivos” no copo ainda, dando-me a impressão de nunca ter tomado outra imperial/double IPA na vida.

Novidade do ano
Acredito que a formação dos primeiros Juízes certificados pelo BJCP (Beer Judge Certification Program). Acho importantíssimo haver pessoas realmente capacitadas a dar um foco e instruir o cervejeiro caseiro a melhorar suas receitas, bem como eleger os vencedores nas competições. O homebrewer é peça fundamental na divulgação da cultura cervejeira, assim como na evolução do mercado.

Melhor fato cervejeiro
A ousadia das cervejarias em inovar nos estilos, mas sem esquecer a qualidade. Agora temos imperial IPAs, stouts, old ales, dubbels, strong ales e outros estilos sendo produzidos por cervejarias nacionais. Mas o legal mesmo é ver novas cervejarias já nascendo com propostas diferenciadas, deixando pra lá a “velha obrigação” de ter a “loira gelada e aguada” no portfólio.

Pior fato cervejeiro
Acredito que a falta de apoio político às microcervejarias e os impostos continuam sendo o principal empecilho que temos para facilitar o acesso e divulgação da boa cerveja, bem como a evolução do mercado.

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