Paladar

Melhores de 2011, parte 40: Cilene Saorin

24 janeiro 2012 | 12:00 por Roberto Fonseca

Cilene Saorin (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Cilene Saorin, de São Paulo (SP), mestre-cervejeira, bier someliére e representante da academia Doemens na parceria com o Senac que criou o curso de Sommelier de Cervejas:

Melhor lager nacional
Bamberg Rauchbier. Nessa categoria meu critério foi a consistência, e não necessariamente o novo.

Melhor ale nacional
Colorado Índica, pelo mesmo motivo acima. Tenho recomendado muito ela e a Bamberg Rauchbier a quem ainda não conhece muito de cerveja. São rótulos consistentes.

Melhor lager importada para o Brasil
Brewdog Lager 77. Gosto muito dela, tem uma boa relação custo-benefício e representa uma linguagem de bom humor e ironia (na comunicação da marca). Uma boa pilsen com excelente personalidade, em uma releitura própria do estilo feita pelos “malucos” da Brewdog.

Melhor ale importada para o Brasil
Brooklyn Sorachi Ace. Saison é um estilo novo no mercado brasileiro. Delicadíssima, super elegante e versátil na gastronomia.

Melhor cerveja caseira
Não provei muitas mas, no Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau, degustei uma imperial stout muito potente, a Dum Petroleum. Muitas notas de café, álcool, cremosidade. Me lembrou a Old Engine Oil pelo nome.

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
O que me vem à cabeça é mais a ocasião do que apenas a cerveja, que ainda não está disponível no Brasil. Eu a abri em um jantar com amigos, em um momento muito especial que era o meu aniversário. É a Allagash Curieux, uma ale envelhecida em barricas de bourbon. Ela foi servida acompanhada de um bolo de frutas secas. Foi uma viagem à Lua.

Novidade do ano
No mesmo evento de Blumenau, fui surpreendida pela Bodebrown. Lá, conheci o Samuel (Cavalcanti, cervejeiro da marca), o trabalho dele e as conquistas. Visitei sua fábrica e vi o esforço que ele tem feito para criar ali um espaço de desenvolvimento educacional da cerveja. Também gostei da Cervejaria Seasons. O trabalho das duas marcas, para mim, foi a grande novidade, em termos de abordagem, seriedade e preparo técnico. Além das cervejas, é claro. Se puder acrescentar mais duas à lista, também citaria a Bierland, que fez um trabalho bonito em 2011 e se reinventou, e a Wäls, pela ousadia de desenvolver rótulos mais rebuscados.

Melhor fato cervejeiro
A busca das pessoas que trabalham no segmento de cervejas, independente da área de atuação, por desenvolvimento profissional e educação cervejeira.

Pior fato cervejeiro
Algumas pessoas têm autenticamente buscado educação cervejeira para se incluírem no mercado. Mas o pior, dentro desse raciocínio, é pensar que nem todo mundo leva isso a sério eticamente. Desenvolver uma competência leva tempo e extrapola os limites da sala de aula. Respondo por uma linhagem de educação cervejeira que mistura a cultura de duas instituições (Doemens e Senac). Meu papel é pegar o melhor de ambas, mas nem sempre isso é compreendido. As críticas são bem vindas, mas é importante entender motivos e razões pelas quais se busca essa linha de raciocínio.

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