Paladar

Melhores de 2012, parte 1: Alexandre Bazzo

07 janeiro 2013 | 12:00 por Roberto Fonseca

Crédito: Roberto Fonseca/Estadão

Alexandre Bazzo é um dos proprietários da Cervejaria Bamberg, de Votorantim (SP):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Ficou com água na boca?

Bamberg Weihnachts. Pela primeira vez, fiz uma cerveja sem seguir um estilo pré-definido; a receita dela foi elaborada pensando na ceia de natal e em uma bebida desenhada para harmonizar com pratos natalinos. Por isso foi, para mim, um grande desafio e teve um resultado surpreendente.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Bamberg Maibaum. Não gostava do estilo helles bock ou maibock, mas, com algumas pesquisas que fiz na Francônia, descobri que eu não gostava era das cervejas deste estilo que eu já havia bebido, mas não poderia generalizar. Aí procurei fazer uma cerveja baseada na historia do estilo e nas características que me agradassem.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Schneider Weisse Tap X Mein Eisbock Barrique.Meu voto representa mais a qualidade e o bom trabalho que esta cervejaria vem fazendo ao longo dos séculos. É uma cervejaria de médio porte que pensa como cervejaria pequena
no que diz respeito a inovação e flexibilidade. Sou fã destes caras.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Ayinger Celebrator. É bom ver chegando no Brasil as boas cervejas alemãs. Esta é uma delas, um clássico do estilo, pena que ela perde um pouco o frescor no transporte. Mas vale a pena.

5) MELHOR CHOPE

Gosto muito da forma com que o Aconchego Carioca SP vem trabalhando com o chope, levando a sério o produto e principalmente pensando no consumidor, sem deixar a bebida “chata”. Mesmo trabalhando com um produto artesanal, atendem o publico leigo que frequenta o restaurante pela comida e bebe sem saber que é artesanal, especial, etc. Bebem porque gostam. Trabalham com um numero reduzido de torneiras, apenas 3  chopes diferentes, e por isso têm um giro muito alto, servindo chope sempre muito fresco.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Empório Alto de Pinheiros. Tem uma gama enorme de cervejas, ambiente agradável e informal, além da simpatia dos garçons e dos donos.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA
Foi uma cerveja caseira do Linus de Paoli, caseiro daqui de Sorocaba, que bebi há uma semana atrás, cerveja ácida muito boa.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA
Foi a Helles Bock envelhecida em barril de uísque que bebi da cervejaria Kundmuller, localizada em uma vila a 15km de Bamberg. Cerveja fantástica, produzida com técnica apurada.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO
Bamberg CaoS, rotulo feito pelo André Clemente.

10) NOVIDADE DO ANO

A grande novidade de 2012 foi a conquista que a associação gaúcha das microcervejarias conseguiu com a redução do ICMS.Quanto mais Estados conseguirem esta redução, mais teremos chances de mudar leis que estão acabando com as microcervejarias no Brasil. Santa Catarina já tinha este benefício.

11)  MELHOR FATO CERVEJEIRO 

O fato mais importante, não apenas de 2012, mas da história da cerveja brasileira, foram as 6 medalhas das 4 cervejarias brasileiras no European Beer Star 2012, uma competição que o mundo da cerveja acompanha de perto. Só quem sabe o que significa esta competição consegue ter noção da importância destas medalhas para a cerveja brasileira.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO 

Mais do que nunca, em 2012 as microcervejarias sentiram na pele, ou nos bolsos, as leis ultrapassadas que foram feitas quando não existiam microcervejarias e que, hoje, são as maiores ameaças para o futuro das cervejas artesanais no Brasil. Seja a já tão falada desigualdade tributária, onde uma micro A paga 60% de impostos, a micro B paga 30% e a megacervejaria paga 15%. Mas outras coisas também nos prejudicam, como a pesquisa realizada a cada 3 meses para rever pauta de imposto. Ninguém sabe esclarecer por que o preço da cerveja não sobe, mas a pesquisa indica aumento, gerando elevação do imposto. Outro exemplo são as leis do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento):  cada Estado – ou cada fiscal – interpreta-as de forma diferente, fazendo com que um Estado possa fazer um tipo de cerveja nova (por exemplo, com fruta) e outro, não. Pior que isso, a cerveja importada não passa pela mesma fiscalização que as nacionais e, por isso, pode tudo importado – as microcervejarias nacionais não podem competir em igualdade. Esclareço que não quero que as leis fiquem difíceis para todos, mas sim mais fáceis e iguais.

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