Paladar

Melhores de 2012, parte 33: José Felipe e Thiago Carneiro

18 janeiro 2013 | 14:30 por Roberto Fonseca

Foto: Arquivo pessoal

José Felipe e Thiago Carneiro, da Cervejaria Wäls, de Belo Horizonte (MG):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Ficou com água na boca?

Bodebrown Wee Heavy. Esta cerveja é simplesmente deliciosa. Já é, pelo segundo ano consecutivo, a estrela na ceia de natal da nossa família. O equilíbrio é o ponto forte desta receita. Talvez por ser tão extrema em quantidade de maltes e lúpulos, a harmonia do produto final é o mais surpreendente.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Wäls Bohemian Pilsner. Esta é a cerveja do dia a dia, não há como não se encantar com a nossa pilsen. Sempre envolvente com seu duplo dry hopping de Saaz. A cria é da nossa cervejaria, mas não escondemos a paixão por ela.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Brooklyn Sorachi Ace. A inovação da Brooklyn é inspiração para a vida cervejeira. Talvez seja por isso que valorizamos tanto a Sorachi Ace. Desde o rótulo incrível à escolha de um lúpulo não convencional, tudo faz a cerveja ser espetacular. Sem contar o trabalho da levedura. É apaixonante, leve e completamente envolvente.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Samuel Adams Boston Lager. Toda história que carrega esta cerveja faz jus à sua proposta. O carro-chefe de uma cervejaria de grande porte com tanto sabor é a ousadia que falta no mercado cervejeiro brasileiro. Talvez, com o tempo, vamos ver tal história se repetir por aqui. Cerveja para o dia-a-dia com personalidade.

5) MELHOR CHOPE

Colorado Vixnu. O Brasil cervejeiro esperou pelo lançamento do delicioso Vixnu em chope. Tamanha foi a repercussão que poucas casas no País tiveram a oportunidade de servi-lo. Aqui em Belo Horizonte foi um sucesso, pena que durou apenas uma noite.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Stadt Jever (BH). Suspeitos para falar do que é da família, mas é por aqui que passamos quase todos os dias. Experimentando os chopes, conversando com os amigos e aproveitando os dias de porre. Não é bairrismo, é gosto mesmo. O Stadt Jever é, para nós, o lugar mais prazeroso de se beber. Sentir-se literalmente em casa, e nada melhor que isso para relaxar de verdade.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

Cafuza , Cervejaria 3 pontas/ Gordelícia Urbana. Na realidade o conceito da cerveja surpreendeu. Gostamos de cara do rótulo e, mentalmente, antes de saber o estilo, apostamos no india black ale. Interessante associação do nome Cafuza (historicamente, cafuzo é o filho de índio com negro). Gostamos de cara. A cerveja, como grande parte das caseiras que experimentamos, estava bem interessante. É um estilo que se tornou “famoso” no Brasil,  com cervejas da Küd, Hi5 e Invicta. Outra cerveja que encantou foi a Gordelícia da Urbana. Somos fanáticos pelas belgas, e esta é uma golden muito bem feita. A criatividade dos caseiros em nomes, estilos e qualidade é superior à de muitas micros, serve de inspiração para ousar.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Wäls Petroleum. O que esta cerveja sacudiu o mercado é de dar orgulho. Primeiro, sempre lembrando que ela veio das panelas, das mãos dos amigos Luiz, Murilo e Júlio (da cervejaria DUM). E, assim que ficou pronta, já fez sucesso. Não houve um lote sequer que tenha durado mais de 3 dias em nosso estoque na Wäls. Talvez pela dificuldade de execução desta receita, ela seja tão amada; foi um verdadeiro desafio industrial. Ganhou nota máxima na história da South Beer Cup, sendo eleita a melhor imperial stout da América do Sul. Ousadia é pouco ao pensar que, num País de temperatura média anual tão alta, o consumo de uma cerveja tradicionalmente de “inverno” tenha se destacado tanto.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Way Amburana / Saison Have a Nice Beer. Gostamos da marca da Way, muito versátil e inovadora. E, particularmente, da garrafa da Amburana, pois a utilização apenas da cor branca, em contraste com o ambar da garrafa, ficou muito bonita. O desenho dos barris  é estiloso.  A garrafa da Saison do Have a Nice beer é hipnotizante e incrível, com o pato e as letras utilizadas.

10) NOVIDADE DO ANO

Lançamento da Wäls 42 em parceria com os Googlers. Talvez uma forma de exaltar os bons é copiar as grande ideias. E foi assim que aconteceu a 42 . Inspirados pela história da Dogfish Head com o Googlers dos EUA, fizemos uma bela história junto aos Googlers da América Latina. O conceito, a ideia da produção, a execução e todo o restante a respeito da Wäls 42 foram praticados em conjunto com os maiores profissionais de tecnologia da América Latina. Houve envolvimento de mais 70 googlers alocados mundo afora e de toda equipe da cervejaria Wäls. O estilo saison, ainda inédito no Brasil, ganhou projeção nacional e hoje já faz parte do cotidiano do cervejeiro por aqui.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

Vinda do Garrett Oliver ao Brasil. O mestre-cervejeiro da Brooklyn, que veio ao Brasil a convite da revista Prazeres da Mesa, teve uma agenda bastante atribulada por aqui. O maior destaque foi a produção – em conjunto com a Wäls, capitaneada pela importadora BeerManiacs – da Saison de Caipira. Foi um show à parte e sacudiu a imprensa nacional e internacional, sendo de longe o assunto mais comentado do Brasil cervejeiro.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Briga de egos/Falta de humildade. Talvez o que mais incomode algumas pessoas é o sucesso alheio. E, neste ano, a coisa foi feia. Começamos com as brigas sem fim na internet, críticas mal-fundamentadas, opiniões não compreendidas , distorção de fatos, recados ao vento, ameaças ao relento, o famoso “mimimi”. Salvo engano, um festival de bobagem para um ano tão marcante na cultura cervejeira do Brasil. Estamos construindo uma nova forma de consumo e, para isto realmente acontecer, não precisamos de legiões e exércitos que brigam por ideias e ideais distintos, ou pela cervejaria X ou Y. Finalizo com um ditado chinês do general Kuan Tzu :  “Se teus projetos são para um ano, semeia o grão. Se são para dez anos plante uma árvore.  Se são para cem anos, instrua o povo”.  Menos guerra e mais atitude. Vamos fazer acontecer.

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