Paladar

O MELHOR DE 2009, PARTE 30

24 janeiro 2010 | 18:25 por Roberto Fonseca

Os irmãos Thiago e José Felipe Carneiro, da Wäls. Foto: Arquivo Pessoal

Junto com o pai, Miguel, os irmãos José Felipe e Thiago Carneiro são os responsáveis por tocar o dia a dia da cervejaria Wäls, em Belo Horizonte. Embora o foco da produção engarrafada da fábrica sejam as cervejas de inspiração belga (Dubbel, Tripel e Quadruppel), a Wäls ainda possui a Bohemian Pilsner, que, creio, é a cerveja brasileira comercial mais lupulada do estilo. O ano de 2009 começou com uma notícia triste para a família Carneiro: bem no carnaval, faleceu Tácilo Coutinho, responsável pelas fórmulas das cervejas da Wäls. A vida e a produção continuaram, e no segundo semestre do ano veio a Quadruppel, que leva em sua composição chips de carvalho maturados em cachaça. Veja os votos dos Carneiro (com direito a uma bela “puxada de sardinha” para as próprias produções, mas ao estilo mineiro, hehehe):

1) A ‘top das tops’ de 2009
Wäls Quadruppel. Seria até mesmo falta de amor próprio não destacar nossa Quadruppel como a top das tops. Sabemos das dificuldades de produção e primordialmente do carinho dispensado na elaboração e inovação da receita. Não é a toa que comentários como o do Charles Papazian não podem passar despercebidos. Na degustação promovida pelo Frei Tuck, no dia 30/12/09, ele disse: “A melhor Quadruppel que já experimentei na vida”…

Ficou com água na boca?

2) Melhor ale
Colorado Vintage Black Rapadura, uma imperial Stout que deixaria qualquer inglês boquiaberto, e Falke Bier Estrada Real IPA, que, com o malte torrado na própria fábrica pela família Falcone, tem um gosto bem marcante.

3) Melhor lager
Wäls Bohemian Pílsen. Uma cerveja extremamente refinada, com amargor pronunciado e aroma floral extremamente intrigante.

4) Destaque nacional
Imperial Stout da Schornstein, degustada na versão chopp da Oktoberfest; Uma pena que eram quantidades limitadas. Também destacamos a Bamberg Rauchbier, que, após destaque internacional (medalha de prata no European Beer Star), não precisa de “legenda”.

5) Destaque importado
Havierstoun Schiehallion: importada pela Brazil Ways, essa cerveja escocesa é um primor. Extremamente refrescante, com amargor equilibrado e aroma herbáceo que nos deixa “loucos”.

6) Novidade cervejeira
Backer Medieval. Um Blonde Ale elaborada pelo mestre Paulo Schiavetto que é deliciosa. Sua embalagem e o sistema de fechamento (com um lacre em parafina, que deve ser aberto com fogo) são inovadores e de muito bom gosto. Também merece a menção a Lótus, uma IBA (India Brown Ale, denominação do próprio produtor pela coloração mais escura que uma India Pale Ale, pelo uso de maltes mais escuros), feita pelo homebrewer Ricardo Rosa e servida no Concurso Nacional da Acerva. Me lembro até hoje nitidamente do aroma herbal desta cerveja; fazer dry hopping com lúpulos americanos é uma ideia fenomenal. Um estilo nada usual que deixou uma impressão fantástica.

7) Fato cervejeiro
A maravilha criada no Pavilhão de Microcervejarias artesanais na Oktoberfest. A forma como as microcervejarias se apresentaram ao público gerou muita alegria e o principal: muita cerveja de qualidade.

8) Pior momento cervejeiro
O falecimento do nosso amado amigo e cervejeiro Tácilo Coutinho, que por estas bandas escreveu história com receitas impecáveis e inesquecíveis.