Paladar

OS MELHORES DE 2009, parte 17

04 janeiro 2010 | 22:00 por Roberto Fonseca

O cervejeiro caseiro Ricardo Rosa. Foto: Tasso Marcelo/AE - 3/10/2007

Um dos cervejeiros caseiros mais talentosos do País – foi o principal vencedor do concurso das AcervAs em 2007 -, além de estudioso da bebida (como se pode ver pela preparação de cada receita no site/blog Cervejarte), o carioca Ricardo Rosa levou à urna deste humilde blog um repertório de deixar babando (inclusive este aqui), com escolhidas nacionais, importadas e muitas “inacessíveis” por estas bandas. Em seu voto, fica claro que, além da empolgação pelas americanas, há também uma preferência pelas inglesas, em especial as barley wines. Não por acaso: uma das cervejas vencedoras já produzidas por Ricardo, a Inveja de Baco, é uma barley wine de primeiro time, e certamente tem seu lugar entre as “tops” já degustadas por este blogueiro. Leia mais:

1) A ‘top das tops’ de 2009
Das que eu tomei em 2009? Fico com a OTIS, de Steve Donohue, da cervejaria-bar Firehouse Grill and Brewery, na Califórnia (EUA). Uma Imperial Stout com 11% de álcool em volume e envelhecida em barris de bourbon de carvalho por quatro meses. A OTIS não é uma cerveja regular da Firehouse, foi uma experiência do Steve que foi servida num festival de cerveja envelhecida em madeira (“The Bistro’s 3rd Annual West Coast Barrel Aged Beer Festival”), na Califórnia, em 2008. O festival foi no ano passado, mas trouxe duas garrafas pra cá e bebi esse ano. Minha favorita.

Ficou com água na boca?

2) Melhor ale
Dentre as nacionais, no momento a minha favorita é a Indica, da Colorado.
Das estrangeiras, a melhor depende muito da ocasião e prefiro mencionar algumas favoritas: a Kwak dentre as belgas; a Taddy Porter, minha porter favorita, da Samuel Smith, da Inglaterra; a Chiswick da Fullers, também da Inglaterra, pra beber sem parar; as barley wines inglesas da J. W. Lees, envelhecidas em diversos tipos de barril (sherry, porto, whisky); a Smoked Porter, da Stone Brewing, na California, com malte defumado em turfa; a Three Philosophers da Cervejaria Ommegang, de Nova Iorque, misturando uma belgian dark strong ale com a Kriek da belga Lindemans; e as várias American IPAs, da Lagunitas, da Russian River e de muitas outras cervejarias americanas, mas para escolher uma, fico com a Arrogant Bastard Ale, da Stone Brewing, na Califórnia, por se destacar também pelo nome e por ter vindo pra Brasil Brau em sua versão “oaked”. Acho melhor parar por aqui…

3) Melhor lager
Dentre as nacionais, fico com a Rauchbier da Bamberg.

4) Destaque nacional
A cervejaria Bamberg, de São Paulo, pela excelente Rauchbier, pela premiação no European Beer Star 2009 e pela continuação da parceria ousada e muito bem sucedida com os cervejeiros caseiros.

5) Destaque importado
As Ola Dubh, escocesas, obtidas maturando a Old Engine Oil em barris usados para envelhecer whisky.

6) Novidade cervejeira
A vinda das americanas! Com o “debut” de algumas delas na Brasil Brau 2009 e o anúncio da vinda das excelentes cervejas da Brooklyn Brewery (tomara que tragam a Brown e a Black Chocolate!) e das ótimas cervejas da Flying Dog e da Rogue. Que isso seja apenas o início!

7) Fato cervejeiro
O crescente sucesso de vários eventos, como a Brasil Brau 2009 e o Festival de Cervejas Artesanais das ACervAs; as constantes inovações de algumas microcervejarias (como a Colorado, com a Black Vintage rapadura, a Falke Bier com a Vivre pour vivre, a Bamberg, com a aguardada Biertruppe Vintage Número 1, a Schornstein, editando a Imperial Stout do cervejeiro caseiro Raphel Tonera). E, no ramo das técnicas dos cervejeiros caseiros, queria destacar o sucesso na cultura e propagação de fermentos pelo cervejeiro caseiro Lúcio Fialho, da ACervA Carioca, que já está com várias crias e que fez uma cerveja maravilhosa com o depósito de fermento da belga Orval.

8) Pior momento cervejeiro
O aumento do imposto no início do ano, não apenas por ele em si, mas por ilustrar a falta de planejameto e de estudo de impacto de certas medidas por parte do governo; a carga tributária excessiva e a burocracia absurda tanto atrapalham e dificultam o crescimento econômico e cultural do País.