Paladar

Samuel Smith: uma bela ‘carrasca’. E campeã

14 abril 2010 | 15:40 por Roberto Fonseca

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Samuel Smith poderia estar na mesma lista de Paolo Rossi (ou Toninho Cerezo?), Michel Platini e Caniggia, como um dos “carrascos” brasileiros em mata-matas. O campo em questão, porém, foi o copo: a cerveja inglesa acabou com a alegria da Xingu, representante brasileira no Beer Madness, torneio um tanto polêmico realizado pelo jornal americano The Washington Post. Agora, a oatmeal stout está na final, contra a dinamarquesa Nogne-o Pale Ale. E é para a Samuel Smith que daria meu voto nesse caso.

Sem ufanismos, a cerveja inglesa é muito superior à Xingu (ao menos a versão brasileira dela, já que não tive resposta sobre se a marca concorrendo lá, destinada à exportação, tem alterações na receita) e merecia um placar até maior que os 3 a 2 do júri. Pude degustá-la em janeiro, bem antes do torneio, e realmente é uma bela stout, encorpada, densa e com bons aromas e sabores. Da minha parte, uma das melhores do estilo que já tomei. Também já provei cervejas da Nogne-o em 2008, trazidas pelo amigo Cláudio Zastrow, que trabalhou na Dinamarca, e também as considerei bem boas (creio que não havia a Pale Ale, e sim a India Pale Ale). Mas a Samuel Smith consegue juntar tradição – foi fundada em Tadcaster em 1758, e é uma das poucas cervejarias independentes remanescentes na Inglaterra – e qualidade.

Ficou com água na boca?

Sobre o concurso, pelo que é possível observar dos critérios, trata-se, de fato, de algo polêmico. Não pelos resultados – a Dos Equis Ambar vencer a Pilsner Urquell é de arrepiar os cabelos -, mas pelas divisões: lagers, pale ales, cervejas escuras e estilo livre. E, nas finais, eles se cruzam. Quem é melhor? A excelente weissbier Schneider Weisse ou a Nogne-O Pale Ale? Claro que podem ser usados critérios técnicos (comparando a Schneider com o ideal de Weissbier e a Nogne-o com o que se espera de uma American Pale Ale na teoria). mas há uma grande interferência de gosto pessoal no tema. Tenho sido favorável à ideia de concursos com estilos determinados, mantendo, se for o caso, um estilo livre como “escolha do público”, por exemplo. Mas isso é outra história…

Em tempo: a Samuel Smith Oatmeal Stout bateou a Nogne-o Pale Ale tanto na escolha dos jurados quanto na do público, e foi campeã da enquete do jornal americano. Curiosamente, é vendida no Carrefour na Argentina, mas não aqui. Acordem, importadores!

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