Paladar

Trigo e ‘bacon’ dão samba?

26 novembro 2010 | 16:50 por Roberto Fonseca

DIRETO AO PINT

Aecht Schlenkerla Rauchbier Weizen (Alemanha, 500ml)

Ficou com água na boca?

Estilo: Ale / Weizenbier defumada

Teor alc.: 5,2%

Cor: Castanho escuro, translucidez média a baixa (presença de fermento na garrafa)

Espuma: Bege clara, média a alta formação e duração

Aroma: Defumado intenso, madeira queimada, bacon, leve adocicado, cravo ao fundo

Sabor: Defumado (madeira, bacon), cravo, leve acidez, algo sutilmente adocicado ao fundo, como tutti-fruti (quase imperceptível, nota-se apenas quando a cerveja descansa na boca por alguns instantes). Corpo médio a baixo, amargor idem, final seco e defumado, carbonatação média a alta.

Nota 4,0 em 5Boa cerveja, com a marca registrada da Schlenkerla (a saber, um “caminhão” de malte defumado). Mas, ao contrário da Märzen, nesse caso a força do defumado afetou as nuances mais suaves da weizenbier da base, que poderiam ter um pouco mais de destaque além do cravo e leve doce. No bar da cervejaria, porém, a receita apresentou notas de banana e cravo mais destacadas, o que indica que a viagem pode ter afetado um pouco as garrafas.

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Embora não seja a mais antiga cervejaria da pequena cidade de Bamberg, na Francônia (Alemanha), a Aecht Schlenkerla é, provavelmente, a mais conhecida, pelas exportações para os Estados Unidos e, há cerca de três anos, também para o Brasil. Estive por lá em maio, nas férias (já empurradas pela eleição a um local bem distante nos confins da memória), e resolvi começar os trabalhos no bar da marca justamente com o que então me parecia uma bizarra combinação: malte defumado e ésteres de banana, cravo e notas adocicadas. Pela cara da garçonete, provavelmente fui o único, em meio às dezenas de alemães e turistas que bebiam a Märzen direto dos barris de madeira, a pedir uma cerveja em garrafa naquele dia – a Weizen não é servida em chope nem lá.

Trata-se de uma receita em que é utilizado trigo malteado, do mesmo modo que outras weizenbiers. Mas a porção de malte que o acompanha é defumada – a Schlenkerla informa que ela própria realiza esse processo de defumação, ao contrário de outros produtores, que em sua maioria compram o malte preparado da Weyermann, fornecedora alemã. Se em um post anterior eu havia dito que a Schlenkerla Märzen pode deixar o fã de cervejas defumadas “mal acostumado”, pela sua potência – as demais, embora equilibradas, parecem mais “fracas” -, no caso da Weizen essa força acaba encobrindo demais os elementos da weizenbier, e apenas o cravo conseguir superar a barreira do “madeira queimada/bacon”. Mesmo assim, pelo exotismo da receita, vale a degustação.

Fiquei bem interessado ao saber que a Stuttgart começou a importar a Weizen em outubro para o Brasil, mas, ao degustá-la de novo, me pareceu que a cerveja perdeu um pouco de sua “cara” de trigo, em especial o sutil aroma de banana que consegui identificar tomando-a em seu habitat natural. A Weizen é uma das cervejas da linha fixa da Schlenkerla, junto com a Märzen, já conhecida dos cervejeiros brasileiros, e uma helles que, feita na mesma panela e tanques das demais, acaba pegando notas defumadas também.

As “pérolas” da marca, porém, são as sazonais, como a Urbock, a Lentbeer e a Oak Smoke (esta última é uma doppelbock e, como sugere o nome, é defumada com a queima de carvalho). Essas, infelizmente, não provei durante minha estadia em Bamberg. Da próxima vez, serei mais penitente e visitarei a cervejaria em uma das “datas santas” do calendário.

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