Paladar

Tripel Week, parte 3: a mais potente

02 dezembro 2011 | 13:13 por Roberto Fonseca

Westmalle Tripel (Bélgica, 330ml)

Produtor: Cervejaria Trapista de Westmalle

Ficou com água na boca?

Estilo: Ale / Belgian Tripel

Teor alc.: 9,5%

Cor: dourado clara, translucidez baixa (varia um pouco pelo tanto que se deixa de cerveja com levedura no fundo da garrafa; o produtor recomenda o consumo dessa pequena quantidade em copo à parte)

Espuma: branca. média a alta formação e média duração

Aroma: cítrico inicial, depois lupulado/condimentado, leve presença de levedura, adocicado, nota frutada perceptível (peras?), malte

Sabor: Malte, nota picante, um quê de esmalte, alcool bem presente, gera calor na boca e a amortece um pouco junto com o picante; notas cítricas e condimentadas. Residual doce destacado mas não exagerado. Final seco, condimentado e alcoólico. Amargor médio a alto para o estilo, potencializado pelas notas alcoólicas e final seco, corpo médio a alto e carbonatação média a alta

Nota 4,2 em 5Mais aromática que a Chimay Triple, mas menos do que a Karmeliet. Ganha, porém, em corpo e equilíbrio entre notas secas contra as adocicadas e frutadas. Bela cerveja.

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Além de mais potente – em termos de teor alcoólico – entre as tripels do sexteto belga que selecionei para degustação, a Westmalle é, também, a mais antiga. De acordo com o livro ‘1001 Cervejas para Degustar antes de Morrer‘, ela foi produzida inicialmente em 1934. Sua origem está ligada à celebração dos monges trapistas na Abadia de Nossa Senhora do Sagrado Coração pela inauguração da nova planta da cervejaria à época. A receita que degustamos hoje, porém, só teria sido “afinada” em 1956. As raízes do estilo tripel, porém, são anteriores até mesmo à receita da Westmalle, fundada em 1794, que teria iniciado sua produção cervejeira – inicialmente para consumo dos membros da ordem – em 1836 (as vendas para o público externo teriam começado em 1870).

Em seu livro ‘Great Beers of Belgium‘, o pesquisador cervejeiro Michael Jackson aponta que em 1906, na vila de Brasschaat (hoje parte da Antuérpia), a cervejaria de Hendrik Verlinden criou uma ale dourada e mais potente, que definiria o estilo tripel. Ele também atuava como consultor para a Westmalle, a quem teria passado a receita da futura tripel. Jackson, porém, aponta que o lançamento da versão feita no monastério ocorreu em 1919. Ele cita ainda outra curiosidade: um anúncio comemorativo aos 150 anos do monastério recomendava um copo de Tripel “contra a perda de apetite”.

O finado pesquisador cervejeiro, cujo nome não raro é confundido com o do finado cantor pop, apontou ainda, à época de publicação do livro, que a Westmalle Tripel tinha gravidade original de 20 Plato, de 35 a 38 unidades de amargor (nossas lagers industriais, sempre vale lembrar, têm em torno de 10, ou menos) e usava candi sugar claro. Jackson ainda contou que um antigo responsável pela produção, Irmão Tomás, recomendou que as versões mais novas da Westmalle Tripel fossem harmonizadas com aspargos e as mais envelhecidas, com cinco ou seis anos de guarda, usadas para fazer zabaione.

Já com outras tripels degustadas no currículo, considerei a Westmalle bem distinta da Tripel Karmeliet. A Primeira tem aromas mais frutados e menos cítricos, é mais seca e tem mais corpo e picância. A segunda tem aroma bem mais potente e cítrico/condimentado, mas perde em termos de corpo. De todo modo, são duas excelentes cervejas.

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