Paladar

Tucher: a “invasão branca” alemã

16 abril 2009 | 22:25 por Roberto Fonseca

Ficha Tucher

Calma lá, leitor. Em tempos de polêmica racial à iraniana, não se trata de nenhum libelo a favor de fulanos, beltranos ou germanos. A tal da “invasão branca” se refere ao “boom” de weissbiers (em alemão ao pé da letra, “cervejas brancas”; a palavra é similar a weizen, trigo) ou, como são mais conhecidas por aqui, as cervejas de trigo, no Brasil. Com a chegada da Tucher, essa weiss aí de cima, parei para fazer as contas e notei que, apenas entre produtores alemães, já há dez marcas diferentes à venda por aqui. Muitas têm mais de uma receita, como as cervejas de trigo escuras (dunkel weizens) ou bocks de trigo (weizenbocks). A Tucher foi uma das últimas a chegar: como dá para ver pela ficha, achei-a uma cerveja agradável, mas que não chega a concorrer como a “bambambam” do estilo entre as disponíveis por estas bandas – poderia brigar por um “top 3” ou, mais provável, um “top 5”.

A proliferação das variações importadas do estilo coloca as weiss/weizenbiers como segundo tipo de cerveja mais difundido no País entre apreciadores da nobre versão da bebida, surgida na Alemanha, onde também se celebrizou. Nesse bolo de marcas, cada um têm suas favoritas – as minhas são a Schneider, em especial a weizenbock Aventinus, e a Weihenstephaner -, mas uma coisa é praticamente infalível: quem começou a tomar cervejas de trigo, certamente o fez com uma Erdinger.

Ficou com água na boca?

Uma das primeiras weissbiers a aportar por aqui, a Erdinger achou um mercado em expansão e tomou vantagem disso. Hoje, é razoavelmente fácil encontrá-la em bares e mercados. Foi a única importada, por exemplo, que já encontrei em um mercado de rede em uma certa cidade do nordeste paulista. Isso antes da invasão das importadas da Ambev, claro. Mas o fato é que a Erdinger, que considero uma versão mais suave das cervejas de trigo, cumpriu seu papel ao abrir um “mundo novo” aos apreciadores da nobre bebida. Nos últimos tempos, porém, acabou “vítima” de seu próprio sucesso, e foi, aos poucos, sendo sobrepujada por weizenbiers alemãs mais potentes.

Mais do que a Tucher em si, lembrei do caso Erdinger ontem à noite, enquanto dava uma mão a um colega que acabou de abrir um bar, apontando (ou tentando apontar, modestamente), a diferença entre as cervejas para os garçons. Colocamos Erdinger e Weihenstephaner lado a lado, e a conclusão unânime foi de que a segunda é uma weissbier melhor do que a primeira, em termos de aroma (segue mais a linha do sul da Alemanha, com notas destacadas de banana e cravo, enquanto a Erdinger é mais cítrica e suave), quanto em corpo. Não acho que isso represente o fim da marca, até porque é um nome bastante conhecido no mercado, mas que deve perder espaço aos poucos, quando o bebedor ampliar seus conhecimentos cervejeiros.

A título de conhecimento, as cervejas alemãs de trigo à venda no Brasil são: Erdinger, Franziskaner, Licher, Oettinger, Paulaner, Pfungstadter, Schneider, Schofferhoffer, Tucher e Weihenstephaner. Qual a sua favorita?