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A saga do café com os médicos

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Histórias e experiências sobre o café

A saga do café com os médicos

Beber café de excelente qualidade traz muitos benefícios para a mente e o corpo

17 abril 2018 | 13:16 por Ensei Neto

Beber café perante os médicos sempre foi uma relação que tem oscilado entre amor e desamor ou desconfiança e certezas diante seus efeitos sobre a saúde.

Durante o período Iluminista, foi a salvaguarda para que grandes pensadores formulassem sobriamente conceitos que viriam revolucionar o dia a dia das pessoas. Como se sabe, naquela época beber vinho era uma forma de se evitar doenças por ingestão de água das comunidades, geralmente contaminadas.

Durante o século 20, muitas pesquisas médicas foram desenvolvidas por muitas universidades ao redor do mundo devido à popularidade que o café havia alcançado. No entanto, a grande maioria dos temas eram sobre seu efeito no sistema digestivo, basicamente estômago. Foram feitos também muitos trabalhos relacionados com a cafeína e sua influência na capacidade de atenção e memória das pessoas.

Ficou com água na boca?

Durante os anos 1960 e 1970, algumas grandes empresas na América do Norte começaram a declinar a qualidade da bebida para obtenção de maiores lucros, utilizando para isso grãos de qualidade inferior. Num período inicial, os consumidores tradicionais absorveram a queda da qualidade, porém com o passar dos anos, as novas gerações de consumidores simplesmente tiraram o café de sua lista de itens obrigatórios. Ao mesmo tempo, surgiram novos refrigerantes e as primeiras bebidas para atletas, que se tornaram o refúgio sensorial desse então novo consumidor.

Como resultado, o consumo de café naquela região despencou. Por outro lado, começaram a surgir diversas pesquisas médicas cujos resultados indicavam que beber café levava à maior propensão à gastrite e outros problemas estomacais. Foi um verdadeiro horror para o mercado do café: consumo em queda e bombardeio de pesquisas que transformavam a bebida em vilão da saúde.
Obviamente, tudo isso foi fruto da desastrada política de lucro fácil. Com qualidade não se brinca!

No final dos anos 1980, outros pesquisadores passaram a se debruçar sobre outras linhas de pesquisa, como o brasileiro Dr. Darcy Ribeiro, um dos mais importantes no mundo com pesquisas sobre efeitos da cafeína sobre o sistema neural, principalmente memória e atenção. E, detalhe: ele sempre procurou utilizar cafés de excelente qualidade.

Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

Com o tempo, os pesquisadores perceberam que teriam de utilizar café de alta qualidade para que os resultados não fossem influenciados por defeitos e outros problemas que porventura estivessem nos blends de café. Assim, resultados promissores começaram a surgir em diversos centros de pesquisa, alçando o café como bebida que leva muito mais benefícios a quem o consome regularmente devido às suas excelentes propriedades antioxidantes, para a melhora do desempenho intelectual e da memória.
De vilão a mocinho em poucos e bons goles!

A mensagem que fica é a de que todas as pesquisas tem de ser avaliadas sobre todos os aspectos, pois tentar confirmar se uma comida estragada irá causar uma diarreia, é quase que manipular dados.
Portanto, consumir café, de boa qualidade, é claro, e em quantidades moderadas, é sempre saudável, pois além de ser um afago no espírito, deixa nosso corpo melhor!

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