Paladar

Café coado e primeiro filtro de papel

Um café para dividir

Histórias e experiências sobre o café

Café coado e primeiro filtro de papel

A praticidade do filtro de papel, criação alemã, impulsionou o consumo doméstico de café.

20 setembro 2017 | 20:34 por Ensei Neto

Certamente o método de preparo de café mais popular do mercado é o filtrado. Ainda no Século XVIII, nos primeiros cafés europeus, havia um tipo de filtro que era feito com fino tecido de algodão, semelhante a meias longas.

Em 1908, na Alemanha, uma senhora de nome Melitta Bentz inventou o primeiro filtro de café, resultado de sua busca por uma bebida que não tivesse resíduos do pó. Era uma caneca de latão com furos em seu fundo, utilizando-se de um papel mata borrão recortado para reter as partículas do café moído. Rapidamente esse sistema de preparo se tornou um sucesso, levando o casal Hugo e Melitta Bentz a registrar a marca Melitta para os filtros de papel.

No Brasil, o filtro foi lançado na década de 1970, trazendo também o porta-filtro de plástico com finas estrias internas. Foi uma verdadeira revolução, pois até então, o método de preparo tipicamente brasileiro, o cafezinho, empregava o coador de pano. E daí surgiu um grande desafio: adaptar o sistema alemão ao espírito brasileiro de preparar café.

O cafezinho mescla diversas influências em sua concepção, sendo a moagem fina como uma de suas características mais importantes. Justamente essa moagem fina dos cafés torrados e moídos encontrados nos supermercados naquela época se tornou um grande problema ao ser utilizado nos filtros de papel Melitta.

Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

As novas gerações de consumidores em geral faz caretas de desagravo quando vêem um café passado nesse método porque houve uma infeliz coincidência de terem experimentado cafés muito ruins, de baixa qualidade.

Outra discussão surge contra esse método porque se argumenta que mesmo cafés de alta qualidade não ficam tão saborosos. Se isso fosse verdade, por que é que cafeterias tão descoladas como a californiana Blue Bottle, que recentemente foi adquirida pela gigante suíça Nestlé, têm esse método de filtrado com seu carro chefe?

Na verdade, existem outros pontos envolvidos: a qualidade dos grãos torrados e a sua moagem. Cada método pede moagens que funcionam melhor, alguns pedem partículas em média mais finas, outros, discretamente mais grossas. Esse tema vale uma outra boa conversa…

O fato é que essa criação germânica permitiu que o preparo doméstico de café se popularizasse, impulsionando em muito a indústria de torrefação e, mesmo, a produção agrícola.

Retornando ao método, um detalhe chama atenção: ao se dobrar o filtro de papel, observe que há forma correta de inserir no porta-filtro. Se você colocar ao contrário, a extração fica prejudicada porque o filtro não fica perfeitamente acomodado.

Passar uma primeira água quente no filtro (sem exageros, apenas o suficiente para umedecer toda a superfície do papel e um pouco mais…) é fundamental para se retirar o gosto residual do tratamento químico para o branqueamento do papel. Feito isso, coloque o café moído em pó a seu gosto, acomode e faça a primeira hidratação, vertendo gentilmente a água para que todo o volume fique hidratado.

Quando o café extraído começar a gotejar, complete com a água quente em movimento circulares mais próximo ao centro e, assim, seu café filtrado ficará pronto!

Experimente com diferentes moagens de seu café e você perceberá que os resultados podem surpreender.

E um último detalhe: esse método não é o cafezinho, que tem um ritual próprio, mas, sim, o clássico filtrado em papel da Dona Melitta!

 

 

Tags: