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Café de astronauta e o cappuccino brasileiro

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Histórias e experiências sobre o café

Café de astronauta e o cappuccino brasileiro

O pó para cappuccino é produto genuinamente brasileiro e substituiu por anos o clássico feito com expresso

23 agosto 2017 | 00:01 por Ensei Neto

cappuccino, uma das bebidas a base de expresso mais consumidas em todo o mundo, teve uma trajetória singular no Brasil.  Ainda nos anos 1990, eram raras as máquinas de expresso em nosso país, de forma que o autêntico cappuccino foi uma bebida durante muito tempo desconhecida do grande público consumidor.

Em fins dos anos 1960 e início dos 1970,  a empresa paulistana Dalca, que ficava no bairro de Vila Mariana, especializada na fabricação de máquinas para encapsulamento de pós, próprio para a indústria farmacêutica, lançou pastilhas de café que eram muito parecidas com comprimidos. O seu proprietário, que era italiano, era um ”louco” por café e tinha a idéia fixa de querer saborear um cafezinho a qualquer momento. Daí, criou a primeira pastilha de café ou, simplesmente, café de bolso do Brasil utilizando café solúvel!

O conceito era muito inovador na época e na embalagem havia um desenho de astronauta.
Sim! Era o café do astronauta, uma homenagem ao feito do primeiro homem a pisar em solo lunar.

Em razão do sucesso do Café do Astronauta, a empresa lançou, em seguida, um preparado em pó que simulava o cappuccino e que foi registrado como tal.

Sucesso absoluto !

Muito criativo e inspirado em conhecimento básico de química, esse produto foi inicialmente elaborado à base de café solúvel, contendo, ainda, três ingredientes particularmente especiais: leite em pó, canela em pó (responsável pela nota de aroma característica) e o bicarbonato de sódio, num toque simplesmente genial!
Outros ingredientes básicos eram o chocolate em pó e o açúcar.

O bicarbonato de sódio, como se sabe,  reage com muita facilidade com a água, liberando gás carbônico, que forma bolhas que simulam com razoável aproximação da espuma do leite vaporizado.

Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

Com o tempo, a formulação se tornou de domínio público, de forma que hoje grande parte das indústrias brasileiras de café passaram a oferecer o seu “preparado para cappuccino”. Com a evolução natural do mercado, as formulações foram, digamos, aperfeiçoadas, ganhando cada vez mais aditivos como espessantes, que são substâncias que conferem consistência à bebida, além de aromatizantes para criar opções de sabores além do clássico chocolate, porém cada vez mais sintéticos…

Somente com o crescimento do mercado consumidor e, naturalmente, com a introdução de um grande parque de máquinas de expresso a partir dos anos 2.000,  é que o autêntico cappuccino ficou disponível para o consumidor brasileiro.
Criado na Itália, terra madre do serviço de expresso, o Cappuccino tem como sua receita básica a seguinte proporção: 1 parte de de um bom expresso, 1 parte de leite vaporizado e 1 parte da espuma do leite vaporizado.
É item obrigatório nas competições dos baristas profissionais, pois exige habilidade e conhecimento técnico para manter a proporção rigorosamente correta.

Expresso, leite vaporizado, espuma de leite vaporizado e, eventualmente, um toque de chocolate em pó: é assim que o cappuccino é saboreado no mundo inteiro. O outro, só no Brasil…

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