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Origens brasileiras: Ceará e o Maciço do Baturité

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Origens brasileiras: Ceará e o Maciço do Baturité

As lavouras de café mais antigas em produção no Brasil estão no Nordeste

27 setembro 2017 | 08:41 por Ensei Neto

Você sabia que ficam no Nordeste as áreas produtoras mais antigas de café do Brasil?

No Ceará, imponente após a travessia de uma faixa do Semi Árido a partir da praiana Fortaleza, está o Maciço do Baturité, que é como um oásis montanhoso. De matas exuberantes, mesclando árvores típicas da Amazônia com as da Mata Atlântica, é refúgio do cearence que procura um clima menos infernal que o da orla da praia.

Guaramiranga, por exemplo, é uma das cidades do Maciço que se tornou importante pólo turístico por abrigar diversos festivais, desde de Artes Cênicas ao de Gastronomia, passando por um impensável e incrível de Jazz em pleno Carnaval!

Ficou com água na boca?

FOTO: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

A história da cafeicultura no Maciço do Baturité tem um enredo particularmente interessante. Se lembrarmos que o café chegou ao Brasil, em versão histórica mais conhecida, via o Pará, é razoável pensar que Estados mais próximos se tornassem rota de propagação dessa preciosa planta, principalmente se levarmos em conta as condições de deslocamento que existiam na época (tudo bem, sabemos que em alguns Estados as estradas ainda continuam tão ruins quanto fossem do Brasil Colônia…).

Imagine uma grande circunferência centrada junto à cidade de Belém e com abertura até Fortaleza, que fica em torno de 90 km do Maciço. Ao olharmos para o Sul, percebe-se que essa linha mal passa pelo Oeste da Bahia e Norte de Goiás, ou seja, ainda há muito chão até o Rio de Janeiro. Em meados do Século XVIII a cidade do Rio de Janeiro já ganhara importância, desbancando a mística e então Sede da Colônia, a cidade de Salvador.

Alguns levantamentos apontam que as primeiras sementes vieram da França diretamente para a Serra da Meruoca, já no Século XVIII, em 1747. Por outro lado, outros asseguram que as primeiras plantas de café vieram do Pará diretamente para o Sitio Bagaço, que fica em Mulungu, no Maciço do Baturité.

De qualquer forma, o microclima reinante no Maciço facilita bastante a adaptação do cafeeiro, onde também o solo é privilegiado. Por estar muito próximo a linha do Equador (a pouco mais de 4o Latitude Sul), o sol é impiedosamente escaldante, daí a necessidade da adoção de sombreamento para a lavoura. Esta técnica foi adotada já nos primeiros plantios, porém descontinuada por volta de 1970 em razão da adoção de um modelo de cafeicultura intensiva com maior uso de fertilizantes químicos.

Dez anos foram suficientes para que os cafeicultores decidissem a retomar o plantio sombreado.
A cafeicultura praticada no Maciço hoje é sombreada e a forma de manejo e gestão encontram-se em fase de mudanças, liderada por jovens empreendedores. Atualizar-se é preciso!

No centenário Sitio Bagaço, as lavouras estão quase sob uma pequena floresta dada a diversidade de árvores existentes e é onde encontrei estes Typicas originais, tal qual conheci no Yemen. Observe a foto ao lado da bela sede.

Esta é, de acordo com diversos registros, a lavoura mais antiga de café em produção no Brasil.

A produção é pequena, suficiente apenas para atender o mercado local, mas que, em breve, poderá chegar aos apaixonados por café de todo o Brasil.

No mínimo, vale a viagem!

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