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Variedades de café: Mundo Novo Amarelo

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Variedades de café: Mundo Novo Amarelo

A grande geada de 1975 dizimou muitas lavouras de café, no entanto, algumas variedades hoje raríssimas foram preservadas

05 abril 2018 | 22:35 por Ensei Neto

Durante muito tempo, os cafés eram conhecidos somente pelo nome do país de produção. Por exemplo, nos países consumidores eram bem conhecidos cafés da Colômbia, da Indonésia, principalmente da ilha de Sumatra, do Kenya e do Brasil. Em razão dos portos de saída da produção, eventualmente poderia surgir uma tipificação a mais, indicando, digamos, uma qualidade melhor à usualmente apresentada pela somente origem país. Cafés exportados a partir do porto de Santos sempre foram referência de grãos de melhor qualidade ao receberem o nome de “Tipo Santos”, o que levou muitas pessoas no exterior a pensarem que essa cidade era responsável por boa parte da produção brasileira de qualidade.

Com o passar dos anos, acompanhando a evolução do mercado, algumas regiões produtoras ganharam notoriedade e tiveram estampados os seus nomes em marcas de grandes torrefações, como Sul de Minas, Mogiana e Cerrado, do Brasil, e Antígua Guatemala, Guatemala, por exemplo.

Assim como aconteceu com o mercado de vinhos a partir da entrada de produtos da Califórnia, Estados Unidos, que se notabilizaram ao apresentarem as uvas utilizadas, com o café se passou o mesmo. Identificar a variedade de cada pacote de café faz parte de algo comum, mostrando um pouco mais da complexidade de sabores que a bebida pode ter.

Ficou com água na boca?

As variedades são muito importantes para se caracterizar determinados sabores do café, porém o fator determinante para que isso realmente se manifeste é a localização das lavouras. A localização, que é dada pelas coordenadas geográficas e altitude, pode tornar mais evidente cada característica sensorial de uma variedade. Bourbon, Mundo Novo, Catuaí, Maragogipe e Typica são algumas das mais representativas quando o assunto é a qualidade sensorial do café.

Vale a pena explorar diferentes produtos do mercado apresentando essas e outras variedades de café produzidas nas mais diversas origens, torrados com distintas técnicas e pontos de torra. Um detalhe: há uma evidente diferença de sabores entre grãos de variedades vermelhas e amarelas!

As variedades amarelas geralmente apresentam sabores que nos lembram frutas frescas, enquanto que as vermelhas tendem aos mel e caramelo.

Mundo Novo Amarelo. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal

Isto me lembra uma passagem muito interessante: no ano de 2011, encontrei uma variedade que era considerada extinta nos campos devido à grande geada de 1975 na Fazenda Santa Margarida, do Mariano Martins, em São Manuel, SP. Estávamos caminhando pelos cafezais quando me deparei com um que se exibia imponente frutas amarelas. Ao me aproximar, senti uma grande emoção porque senti que havia algo grandioso ali. Sim, era um cafeeiro da raríssima variedade Mundo Novo Amarelo, desconhecida pelas novas gerações de cafeicultores e consumidores, que, juntamente com algumas outras irmãs, havia sobrevivido à intensa geada que acabara com boa parte dos cafezais de São Paulo.

Sabiamente, o Mariano reservou as frutas e suas sementes para iniciar novas lavouras com essa incrível variedade. A colheita de café no Brasil está se aproximando e, certamente, neste ano será possível saborear um café realmente raro e delicioso produzido por ele…

Abraços cafeínados!

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