Paladar

Jô Auricchio

Doce destruição química

27 abril 2009 | 17:57 por Estadão

Ah, a criatividade dos japoneses nunca deixa de me maravilhar.
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Por lá, as guloseimas são uma verdadeira instituição nacional. Não só são pedacinhos industrializados de endorfina como também uma prova da proeza técnica nipônica. Eu acho que ninguém sabe mesclar sabores como eles.

Uma coisa bacana no Japão são as balas. Tem de tudo quanto é jeito. Moles, duras, açucaradas… tem para todos os gostos.

Ficou com água na boca?

Uma das mais emblemáticas é a Super Lemon.
A agressiva Super Lemon
Na embalagem já dá para ver as intenções da bala. No melhor estilo Lichtenstein, uma pobre moça luta contra o sabor. Em inglês, ela avisa como o doce é poderoso.
Pessoalmente, qualquer produto alimentício que tem a coragem de colocar alguém sofrendo ou gritando na embalagem já me ganha no primeiro contato.

Virando a embalagem, amor à primeira vista. Uma tirinha mostra a mesma moça no processo de descoberta da Super Lemon.
O mais genial: um diagrama explicativo mostra as diferentes camadas da bala, quantificando o grau de acidez.
O diagrama da dor
Ora, qualquer comida que demanda um diagrama explicativo não pode ser ignorada.

A bala, quando aberta, parece que está mofada, com um pozinho branco recobrindo o corpo esferóide.
Ao colocá-la na boca, a surpresa.
O pozinho em questão nada mais é do que ácido cítrico concentrado. É como tomar um tapão de mão aberta na língua.
A violenta Super Lemon exposta
A acidez é tão forte que as glândulas salivares ficam fora de controle, estalando como gelo quebradiço.
O primeiro impulso é de cuspir a bala. É instinto de autopreservação, o corpo tem certeza que o fim chegou. O sabor tem um quê de ácido de bateria e dura uns 30 segundos.

Mas aí que a bala vai se revelando. Sem aviso, a acidez letal dá lugar a uma doçura ímpar. E, alguns minutos depois, quando a bala sofre desgaste e chega ao núcleo, um sabor mais ácido, mas gentil. Começa como um peeling químico e termina como uma limonada forte.

Ora, essa bala é um tributo à superação. Se a pessoa acredita e sobrevive ao baque inicial, no final a conquista é doce e perene. É quase como uma passagem do bushidô, o caminho samurai, em forma comestivel.

Por R$ 9, um pacote de pedacinhos doces de superação. Deliciosamente agressivo.