Paladar

Jô Auricchio

O Pão sem Alma II – A Volta dos Mortos Vivos

06 abril 2009 | 11:56 por Estadão

Depois do horror do Pão sem Alma , fiquei com um certo medo de misturas prontas. Então, nesse fim de semana me senti macho o suficiente para dirimir meus medos fazendo alguns experimentos, como o espantoso e mutante bolo polimerizado de banana. Enquanto esperava a polimerização, decidi dar mais uma chance à mistura pronta para pão que originou o pão zumbi anterior.

Para ser justo, escolhi outra modalidade da mistura, dessa vez de milho.

Antes, abracei minha máquina de pão (vai saber se foi falta de amor da outra vez…) e segui, novamente, a receita imprensa no pacote.

Depois de 3 horas, o cheiro maravilhoso de pão invadiu a casa. Mais uma vez, a apreensão familiar. Todos reunidos em torno da mesa, o pão foi libertado da casca metálica do autômato panificador, esperando a faca escorregar barulhenta.

Ficou com água na boca?

Casca crocante, boa cor. No meio, o pão amarelinho, com cheirinho de broa.

Para proteger a todos, fui o primeiro. Fechei os olhos e mordi.

E não é que o pão de milho é muito melhor que o convencional?

Não é “aquele” pão fenomenal, do naipe que o Luiz Américo faz, mas dava para comer.

Depois de passar pelo crivo do canino Bender Rodriguez, que lambeu os bigodes feliz depois de mastigar, foi a vez da família toda provar.

Todos gostaram, moderadamente, mas comeram. Quem diria, depois dos horrores do pão sem alma, algo minimamente comestível sairia de um pacote de massa pronta.

Ainda assim, nada bate o pão de verdade, formulado à moda antiga.