Paladar

A propósito de bistrôs e parrillas

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

A propósito de bistrôs e parrillas

05 fevereiro 2014 | 22:22 por Luiz Américo Camargo

Le French Bazar. As mesas não têm mais toalhas, o salão ficou mais despojado, vários preços foram reduzidos. Sai a belle époque, entra uma atmosfera mais cosmopolita. As transformações no Le French Bazar, comandado pelo restaurateur Dudu Borger, não foram poucas. E a mudança mais expressiva aconteceu na cozinha, com a volta do chef Luiz Emanuel ao mercado paulistano. Depois de um ano prestando consultorias no Sul e no Nordeste, e já sem vínculos com o Allez, Allez! (onde ele e Borger foram sócios, na década passada), o cozinheiro retorna a sua especialidade, o receituário de bistrô.

O novo cardápio do Le French é sintético e contempla standards, com pequenas intervenções autorais – inspiradas, por vezes, na cozinha asiática e nas colônias ultramarinas da França. Coisas que transparecem em detalhes como a farofa de coco que acompanha o ótimo peixe do dia (R$ 42); ou no arroz à cantonesa do suculento pato à oriental (R$ 62). No que diz respeito a receitas como o steak tartare (R$ 32) e a língua braseada (R$ 41), Luiz Emanuel mostra que continua certeiro na execução. A metamorfose só se conclui no fim do mês, com a inauguração de um bar no mezanino.

Ficou com água na boca?

Le French Bazar. Receituário de bistrô com execuções certeiras. FOTO: Sérgio Castro/Estadão

Por que este restaurante?
Pela nova fase, com ambiente mais despojado, preços menores, novo chef.

Vale?
O menu executivo de R$ 38 varia diariamente. À la carte, da entrada à sobremesa, paga-se entre R$ 70 e R$ 100 (a água filtrada é cortesia, e não se cobra taxa de rolha). Vale.

Lola Parrilla. Algo parece inacabado no Lola Parrilla, embora o restaurante tenha aberto há dois meses. De onde vem essa sensação? Talvez do projeto arquitetônico (a circulação, os desníveis, as divisões). E, certamente, do serviço, um tanto hesitante. Já o cardápio é mais animador.

A chef Daniela França Pinto, ex-sócia do Lola Bistrô, foi a responsável pela concepção inicial (ela já se desligou da casa e segue com o Marcelino Pan y Vino). Em essência, a carta propõe um jeito mais original de lidar com grelhados e afins, sem se espelhar na escola Rubaiyat nem se alinhar ao estilo “falso portenho”. Gostei da variedade de cortes e das opções de entrada e guarnição.

Os pastéis de angu (R$ 17,80) têm bom equilíbrio entre massa e recheio; a autoexplicativa salada “quase todos os tomates do mundo” (R$ 28,60) traz uma seleção de tipos e preparações; a arepa (R$ 20) é uma alternativa às tradicionais batatas. Sobre as carnes, há sugestões como a tiritas da lola (R$ 52, a capa do bife ancho) e o chorizo de tira (o bife de chorizo, em corte transversal, R$ 52), bem executadas, ainda que sem brilho.

O pior é o ritmo do serviço: o couvert é atropelado pela entrada, que é atropelado pelos grelhados e assim vai. Se cozinha e salão afinarem as conexões, pode melhorar.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade.

Vale?
O executivo de almoço sai por R$ 38. À la carte e compartilhando, gasta-se entre R$ 70 e R$ 100/cabeça, sem bebidas. Dá para arriscar.

SERVIÇO

Le French Bazar
R. Fradique Coutinho, 179, Pinheiros.
Tel.: 3063-1809
Horário de funcionamento: 12h/15h e 20/0h (6ª, até 1h; sáb., 13h/16h e 20h/1h; dom., 13h/17h)
Cc.: todos

Lola Parrilla
R. Purpurina, 38, V. Madalena
Tel.: 3034-3773
Horário de funcionamento: 12h/15h e 18h/0h (sáb., 12h/0h; dom., 12h/18h; fecha 2ª)
Cc.: A, M e V

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 6/2/2014

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