Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Afiar, afinar, refinar

31 julho 2014 | 11:01 por Luiz Américo Camargo

O Paladar de hoje não publicou a nossa tradicional resenha da semana, vocês devem ter visto. Volta à normalidade na semana que vem. O que não significa que não teremos indicação de restaurante. Já me explico melhor.

Tenho consultado os arquivos do blog. Observando, particularmente, coisas que escrevi há cinco anos, um pouco mais, um pouco menos. Notando como algumas impressões – falando de cozinhas aqui de SP – mudaram, como outras permanecem tal e qual… A propósito, sobre certos temas sempre tãos discutidos aqui, como preços, posicionamento, média restauração, vale a pena selecionar alguns meses de 2009 e 2010 e comparar com o que anda acontecendo agora. Bom, é para quem tiver tempo e paciência (reparem no alto, em ‘Arquivo’).

Mas tratando de uma resenha publicada há exatamente cinco anos, em julho de 2009, noto como o Chou só fez evoluir. Já era bom, mas está mais consistente. Em vez de vagar ao sabor de tendências e modismos, a casa resolveu surfar sua própria onda. E por lá se manteve. As coisas vão acontecendo num certo bairro da cidade; depois mudam de região; uns vão para o shopping; outros abrem food truck; aderem à cozinha toscana, depois partem para a mediterrânea… E o Chou segue lá, do seu jeito, na sua toada, na mesma prosaica casinha de Pinheiros.

Ficou com água na boca?

A comida é boa, tem sabor e delicadeza, frescor. O serviço está mais afinado, sem frescuras, tudo é bastante fluido. E o pão, preciso comentar, está de primeira linha. Não importa se você quer só ficar nas mezzés (as entradas); ou encarar peixe ou porco, ou algum prato da cozinha (feito no fogão, não na grelha): vai comer bem e sentir que investiu direito seu apetite e seu dinheiro.

Há quem prefira mudar o tempo todo, se renovar, se reinventar – o que é sempre louvável, especialmente no caso de quem alimenta com sinceridade esse tipo de inquietação. E há quem prefira aprimorar a própria síntese, amolar a lâmina, buscar o melhor burilando os mesmos gestos, indo mais fundo na própria identidade. Creio que é o caso do Chou, que tem feito sempre a mesma coisa, mas com constante refinamento. Evoluir sem mudar (o que, por si só, sempre é uma mudança) é um talento e tanto. Curiosidade pelo texto de 2009? Aqui.