Paladar

Bossa: trivial e sem intervalos

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Bossa: trivial e sem intervalos

11 março 2015 | 18:21 por Luiz Américo Camargo

Vou abrir esta coluna com um lead clássico – lead, no jargão do jornalismo, é aquele primeiro parágrafo que contém as informações essenciais do texto. Mais ou menos assim: o Bossa, aberto há um mês, ocupa um belíssimo imóvel na Al. Lorena. O almoço tem atmosfera tranquila; o jantar, clima mais afeito ao estilo lounge, com aquele tipo de música ambiente permeada por muitos “tst-tsts”. Seu menu transita entre o trivial brasileiro e um perfil mais contemporâneo. E a cozinha é capaz de, ao mesmo tempo, produzir bons pratos em itens mais difíceis e, curiosamente, cometer deslizes em preparações aparentemente simples.

Estilo. Novo Bossa está muito bem instalado, na Alameda Lorena

Ficou com água na boca?

O Bossa pertence a Renato Ratier, dono do clube noturno D-Edge. A proposta é congregar restaurante, bar e estúdio musical, em esquema 24 horas (o que está previsto para o fim do mês; por ora, o funcionamento é do meio-dia à meia-noite). Quem montou o cardápio e comanda os fogões é o chef William Ribeiro (ex-O Pote).

Entre as sugestões, há boas entradas, como os espetinhos de quiabo, a kafta, as medalhas de tapioca (inspiradas nos dadinhos do Mocotó). E principais bem feitos, como o peixe do dia com salsa verde, pupunha e cuscuz de milho; o ravióli de queijo meia cura com tomates assados, rúcula e raspas de limão; o polvo com creme de batata e vegetais tostados; e, particularmente, o bacalhau grelhado, com farofa de pão, batata, tomate – parente do bacalhau à moura encantada dos tempos d’O Pote.

Durante o almoço, a casa oferece duas sugestões especiais, com preços amigáveis, que podem ser uma apetitosa carne de panela com arroz, couve e farofa de vinagrete – e, paradoxalmente, um macarrão com o mesmo molho da carne, com massa mole. Ou o bife de kobe com batatas, cortado finamente e muito passado, anulando qualquer percepção de marmoreio da peça.

No geral, os atendentes são polidos e afáveis – mas ainda se atrapalham na dinâmica de salão e não dominam o cardápio. Parece que os restaurantes têm recrutado funcionários considerando pendores para o trato com o público e, simplesmente não têm conseguido treiná-los para o exercício da função. A clientela perde com isso, mas os estabelecimentos perdem mais.

Vale?
Os pratos especiais de almoço custam a partir de R$ 28. Pelo cardápio, principais entre R$ 38 e R$ 65. Vale conhecer.

SERVIÇO – Bossa
Al. Lorena, 2008, J. Paulista
Tel.: 3064-4757
Horário de funcionamento: 12h/0h (dom., até 23h)
Cc.: todos
Estac.: Manob. R$ 20

Tags: