Paladar

Chef Benon e seu bistrô familiar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Chef Benon e seu bistrô familiar

19 fevereiro 2014 | 22:00 por Luiz Américo Camargo

Durante um certo tempo, digamos que na última década do século 20, o chef Benon Chamilian foi o principal nome da alta cozinha libanesa na cidade. Guardadas as devidas proporções, não sei se estou exagerando, ele estava para a culinária de seu país como Salvatore Loi está para a cucina e Erick Jacquin, para a cuisine. E, tudo isso, no âmbito de uma modalidade que não costuma abrir tanto espaço para os autores – afinal, o repertório levantino sempre foi mais associado por aqui a especialidades de família que à gastronomia.

Dito isso, é interessante rever seu trabalho num ambiente tão simples quanto o do Chef Benon, aberto em 2012 na Vila Sônia. Segundo o cozinheiro, a escolha do lugar e da proposta se deve à busca por um cotidiano mais tranquilo. Ele queria ficar nos limites do bairro onde mora e, ao mesmo tempo, evitar a complexidade de um grande restaurante.

Ficou com água na boca?

Libanês caprichado. Chef Benon tem cozinha bem feita e a bom preço. FOTO: Márcio Fernandes/Estadão

Se os extintos Mandalun e Khayyam, endereços nos Jardins que fizeram a fama de Chamilian, evocavam tendas de luxo e mansões no deserto, aqui predomina o despojamento. Seu pequeno bistrô familiar, como ele chama (um irmão e outros parentes ajudam na operação), oferece poucas mesas, não tem manobrista nem formalidades no atendimento. Serve pratos rápidos, quitutes e receitas tradicionais sem maiores pretensões, mas com várias sugestões apetitosas, algumas acima da média, e a preços bastante razoáveis.

E, dentro de um cardápio sucinto, trivial como o de uma lanchonete, é possível pinçar um falafel (R$ 23,50 a porção) potente e equilibrado; um quibe cru (R$ 22,90, com 300g) de textura refinada; um homus (R$ 14,20) rústico e saboroso; uma esfiha de zátar (R$ 4,50) de massa crocante, assada na hora; um ótimo pão sírio da casa (R$ 1,50 a unidade). Pena que nem tudo seja do mesmo nível: se a kafta bovina (R$ 22,90) é muito bem condimentada, o arroz que a acompanha é quase inexpressivo; já no caso da coalhada fresca, provada em visitas diferentes, falta justamente um certo senso de padrão (R$ 6,90). O melhor, contudo, foi reencontrar uma receita realizada como nos tempos mais palacianos do Khayyam: o malabie (o manjar branco à moda árabe, R$ 7,50), com calda de damasco e lâminas de amêndoas.

Pode ser apenas coincidência. Mas é curioso que a Vila Sônia, fora do eixo mais badalado da restauração, e não necessariamente um enclave da imigração libanesa, abrigue dois bons representantes da colônia (de filosofias e níveis diferentes, é importante dizer) como o Chef Benon e o Sainte Marie. Sorte de quem mora nos arredores e aprecia o estilo: esfihas, kaftas e quibes sempre confiáveis não haverá de faltar.

Por que este restaurante?
Porque é a casa de um respeitado chef da cozinha libanesa. Pelos pratos simples, bem feitos e a bom preço.

Vale?
Gasta-se entre R$ 30 e R$ 50 (entre quitutes e pratos, os preços variam bastante) por uma refeição, sem contar as bebidas. Vale, sim, em especial para quem mora na zona oeste, Butantã e Morumbi.

SERVIÇO – Chef Benon
R. Nilza Medeiros Martins, 21, V. Sônia
Tel.: 3739-3661
Horário de funcionamento: 12h/21h (6ª e sáb. até 22h; dom., 12h/17h)
Cc.: todos

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 20/2/2014

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