Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Comida de estádio

26 janeiro 2012 | 00:37 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 26/1/2012

Nem sanduíche de pernil ou de linguiça, tampouco cachorro-quente ou amendoim. Foi a primeira vez que eu comi pratos japoneses, e de bom nível, bem perto de um campo de futebol. E com o estádio na mais completa tranquilidade.

Koji Yokomizo, sushiman de longa trajetória em São Paulo, é o nome por trás da novidade. No recém-aberto By Koji, bem instalado no Cícero Pompeu de Toledo, dentro da área pomposamente chamada de Morumbi Concept Hall, o cozinheiro oferece um cardápio extenso, com itens frios e quentes executados com desenvoltura – o que melhora ainda mais o programa, por si só divertido.

Ficou com água na boca?

Yokomizo trabalhou com Shundi Kobayashi em várias ocasiões e passou por casas como Hanadoki e Shundi e Tomodachi, entre outras. É cuidadoso com a matéria-prima e com o acabamento de seus pratos. No By Koji, o chef demonstra também que é versátil, cruzando dos petiscos de izakaya às preparações mais elaboradas do omakasê, o menu degustação. Sua brigada também está bem montada: um dos integrantes é Horácio Ozaki, chef do Pub Kei.

Há quem questione se a habilidade do cozinheiro se avalia pelo sashimi. Afinal, não é tudo peixe cru? Pois esse item, em particular, é revelador sobre as escolhas do chef e sua destreza. E eu provei excelentes fatias de buri e de pargo no balcão do By Koji, além de (quase) bons niguiris – que, uma pena, carecem de uma elaboração mais adequada do arroz, tanto em textura como em sabor.

No desafio sempre arriscado de preparar o omakasê, Yokomizo revela sutileza no trato dos caldos; demonstra intimidade com frituras (no tempurá) e grelhados; e executa com a devida simplicidade receitas clássicas como a yakinasu, a berinjela grelhada, e o butano kakuni, a barriga de porco. Se não é uma refeição topo de linha, é competente.

O By Koji, independentemente de funcionar num estádio (uma ideia muito usada no exterior e que, espero, inspire outros clubes brasileiros), me parece fazer parte de uma nova voga de japoneses. Uma leva de estabelecimentos comandados por profissionais que já foram chefs ou subchefs em restaurantes famosos (incluo aí o Aya, o Aze Sushi, o Ohka) e que devem elevar o nível médio da cozinha nipônica da cidade – em alguns casos, com preços mais amigáveis.

Para não complicar mais: o restaurante funciona no almoço e no jantar, normalmente. Mas em dia de jogo (assim como no caso de eventuais shows musicais), é necessário reservar e pagar um preço que inclui o futebol e um menu proposto pela casa. A entrada é pelo portão 17 do estádio, com serviço de manobrista. Simples assim.

Por que este restaurante? Porque é uma novidade e porque o programa é interessante.

Vale? O almoço executivo, por R$ 40, com itens frios e quentes, é muito bem servido. Pedidos no balcão, os niguiris, na média, ficam entre R$ 12 e R$ 14 o par. O omakasê, em duas versões, de R$ 100 e R$ 180, custa mais caro, mas inclui bons produtos. O pacote com refeição e ingresso para o jogo tem preços variáveis, conforme o campeonato, começando em R$ 200. Se compensa, aí eu não sei dizer. Deixo para quem torce para o tricolor (não é o meu caso).

By Koji– Pça. Roberto G. Pedrosa (Estádio do Morumbi), portão 17, 3624-7710. 12h/15h e 19h/23h30 (fecha 2ª). Em dia de jogo, só com reserva. Cc.: todos