Paladar

Como é a cozinha do restaurante de Jamie Oliver em São Paulo

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Como é a cozinha do restaurante de Jamie Oliver em São Paulo

13 maio 2015 | 18:25 por Luiz Américo Camargo

Não me lembro de ter visto tantos celulares à mesa, tantas selfies, tanta gente tirando fotos do salão, dos detalhes decorativos, até dos jovens garçons. O Jamie’s Italian, inaugurado há pouco mais de um mês, vem mesmo superando os padrões. A casa anda sempre cheia, comumente com fila na parte externa. A aglomeração na entrada acontece ora por lotação, ora por um peculiar sistema, usado em especial nos primeiros dias: mesmo com assentos vazios (são 230 lugares), era seguido um ritual de dar o nome, aguardar… enfim, garantir o buchicho na entrada.

O Jamie’s Italian tem ambiente moderno, música alta, atendentes simpáticos, certa atmosfera de casual dining. Sua cardápio é eclético, com petiscos, pratos variados, carnes, massas – neste último caso, a maioria das sugestões pode ser pedida em meia-porção, como primo piatto, o que é louvável. A questão, entretanto, é justamente com a pasta em si. Falta textura de massa fresca: não é al dente, é encruada. E sobra peso aos molhos. Algo que se repetiu tanto com o pappardelle com linguiça (R$ 28 e R$ 39) como com o tagliatelle à bolonhesa (R$ 28 e R$ 39).

FOTOS: Divulgação

Os excessos, digamos, meio cantineiros, se estendem ao cesto de pães artesanais (que é pequeno, R$ 22). Há azeite e condimentação demais na focaccia, no grissino (no singular, é só um), até no finíssimo pão carta de música – este último, cai melhor acompanhando a tapenade na gostosa porção das “melhores azeitonas do mundo no gelo” (R$ 25). Vejamos então o rump steak grelhado (R$ 65) com cogumelos e batatas fritas. A matéria-prima é boa, a cocção, bem feita… mas a conjugação da marinada da carne com a gremolata de limão transformam o prato em algo mais potente do que um simples e bom churrasco de miolo de alcatra.

É evidente que o restaurante não se propõe a vender cucina tradicional. Sua intenção é oferecer criações de inspiração italiana pelo filtro de Jamie Oliver. O problema não é a modernidade, mas a qualidade. O olhar novidadeiro que faz dos ravioli de quatro queijos fritos um divertido tira-gosto (sob o nome de “nachos italianos”, R$ 19), por exemplo, não funciona com o maciço tiramisù (R$ 24), com raspas de laranja e sabor desbalanceado. Para que fique claro: muito mais do que gastronomia, é o burburinho.

Por que este restaurante?
Porque pertence a Jamie Oliver.

Vale?
Numa refeição completa, gasta-se entre R$ 100 e R$ 150 por pessoa, sem bebidas. Se é só pelo frisson, divirta-se. Se é para comer bem, não vale.

SERVIÇO – Jamie’s Italian
Av. Horácio Lafer, 61, Itaim-Bibi Tel.: 2365-1309. 12h/23h (5ª, 6ª e sáb., 0h). Cc.: todos. Ciclovia: Faria Lima (1 km)

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 14/5/2015

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