Paladar

Cozinha em primeiro plano

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Cozinha em primeiro plano

01 outubro 2014 | 18:43 por Luiz Américo Camargo

Durante o dia, mais luz e música em volume ameno. À noite, iluminação baixa e trilha sonora com mais decibéis. O que toca? Aquele tst-tst que os especialistas chamam de “som balear”. A atmosfera parece coerente. Afinal, o Side tem ambiente moderno e convidativo à interação; um bonito bar, que pode ser frequentado inclusive sem entrar no salão, pela lateral externa; e uma carta de drinques sob o comando da respeitada Talita Simões. Descrevendo assim, pode soar apenas como mais um estabelecimento identificado com as frivolidades efervescentes de um clube, de uma pré-balada: badalação em primeiro plano, comida em segundo. Mas não é nada disso.

Tanto o serviço como a cozinha do Side, inaugurado há dois meses no Itaim, funcionam com desenvoltura. Do atendimento telefônico para reserva ao acolhimento na chegada, da explicação bem informada dos pratos e coquetéis à dinâmica de sala, existe um perceptível equilíbrio entre cordialidade e eficiência.

Ficou com água na boca?

Side. Restaurante tem cuidado com a matéria-prima e equilíbrio cordialidade/eficiência. FOTO: Tiago Queiroz/Estadão

O que cria uma estrutura consistente para as sugestões do chef Thiago Maeda (ex-D.O.M. e ex-Dalva e Dito), que incluem de sanduíches a pratos variados, ora de perfil mais clássico, ora passando por influências orientais e apresentações mais contemporâneas.

Em todas as visitas, ficou evidente o cuidado na escolha da matéria-prima e a atenção aos pormenores – como o frescor e o tempero de uma prosaica salada de grãos e a qualidade dos itens do picadinho, ambos componentes do menu executivo de almoço (R$ 45). O cozinheiro capricha ainda no manejo dos moluscos, servindo ótimas lulinhas na chapa com aioli de limão, e um polvo ao vinagrete (R$ 29) muito macio, dentro de uma composição cheia de contrastes e aromas. Sem contar o linguini com camarões e lulas (R$ 59), cozidos com precisão, tenros, em molho agradavelmente picante – embora com a massa um ponto mais mole do que o al dente.

No momento, segundo os atendentes, o prato de maior sucesso da casa tem sido o shoulder steak – o “filé” da paleta bovina, na verdade de wagyu, com crocante de mandioca e cogumelos (R$ 67). Mas eu gostei particularmente das korean ribs (R$ 48), costelinhas de porco com gochujang (molho fermentado à base de pimenta) acompanhadas por um ótimo purê de pupunha e espiga de milho. As sobremesas foram a parte menos entusiasmante das refeições. Musse de chocolate com marshmallow de café, sorvete de doce de leite com textura um tanto arenosa, uma versão pouco inspirada (com consistência de bolo e apresentada num copo) da clássica torta de limão… Nada muito expressivo, mas também nada que arranhe a performance do restaurante.

Por que este restaurante?
É uma boa novidade. Pelos pratos bem executados, pela coquetelaria.

Vale?
O almoço executivo custa R$ 45. Pelo cardápio, gasta-se em torno de R$ 100 pela refeição completa, sem bebidas, com água de cortesia (as porções são bem servidas e convém perguntar quais delas são compartilháveis). Cuidado com o entusiasmo com os drinques: aí, a conta pode dar saltos. Vale.

SERVIÇO – Side
R. Tabapuã, 830, Itaim Bibi
Tel.: 3168-0311
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (sáb. 12h/17h e 19h/ 1h; dom., 12h30/17h e 19h/0h)
Estac.: Manob. R$ 20 (sem ciclofaixa nem metrô próximo)

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 2/10/2014

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