Paladar

Cruze a cidade, trace a pizza

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Cruze a cidade, trace a pizza

03 julho 2013 | 23:21 por Luiz Américo Camargo

A coluna desta semana pegou a estrada e foi um pouco mais longe que o habitual. Cruzou parte da zona sul e alguns quilômetros da Via Anchieta. O suficiente para chegar a Santo André, onde está uma das melhores pizzas da cidade, digo, da Região Metropolitana. Certamente entre as mais bem feitas que comi nos últimos meses.

Vários ambientes, incluindo um com vista para os fornos

A Grazie Napoli, inaugurada neste ano, foi aberta a partir das obsessões de seus fundadores, os irmãos Fábio e Marcos Fernandes. Também donos do concorrido Burger Map, eles passaram uma temporada provando margueritas e congêneres em Nápoles e Nova York. Na cidade italiana, fizeram estágios em duas pizzarias, o que os ajudou a definir padrões de trabalho. No fim, trouxeram até os fornos a lenha da Itália – segundo os proprietários, construídos pelo fabricante Stefano Ferrara, com tijolos que levam em sua composição cinzas do vulcão Vesúvio.

Ficou com água na boca?

Localizada no Bairro Jardim, a casa é ampla e confortável. Mesmo com vários ambientes diferentes à disposição, eu recomendo que você sente no salão em frente aos fornos. De preferência, com vista para eles. É dali que saem pizzas muito bem construídas e assadas, três delas seguindo os critérios da Associazione Verace Pizza Napoletana (estabelecimentos como a Bráz e a Speranza também são certificados pela associação). Vou falar sobre uma delas em especial, a marguerita DOC (R$ 28).

A pizza é servida no prato, em tamanho individual (são quatro pedaços e dá para dividir, talvez começando a refeição por algum antepasto). O disco de massa é fino no centro, levemente elástico, com borda alta e, fundamental, de cocção perfeita. De acordo com a casa, ele é assado em um minuto e meio, em temperatura acima dos 400°C. A distribuição do molho (de tomate San Marzano, do sul da Itália) e da mussarela de búfala é equilibrada, sem excessos. Foi fácil dar conta das quatro fatias.

Pizza, a meu ver, é comida de velocidade. Para ser preparada rapidamente, servida sem demora, devorada fumegante, no ápice do sabor. Sendo assim, caso você não more nos arredores, é questão de avaliar: uma hora de deslocamento, de carro, para dez minutos à mesa? Mas eu acho que compensa o desvio. Há arancini (bolinhos de risoto, R$ 10) e panzarotti (bolinhos de batata, R$ 10) – estes, particularmente bons – para começar. Há várias outras pizzas, de sabores ora mais tradicionais, ora mais inventivos, todas individuais, com massa e molho no padrão napolitano. Tornam-se pretextos, enfim, para alongar a visita.

Para beber, há um razoável chope da cervejaria Madalena, ali mesmo de Santo André. Porém, nessas horas, eu lembro de Saul Galvão e de sua famosa observação, “chope com pizza é pleonasmo do fermento”, e tendo para o vinho. A carta não é brilhante, mas tem lá sua diversidade, e destaca apenas uma opção em taça: o Montepulciano D’Abruzzo do produtor Bonacchi. Podia ter mais.

Por que este restaurante?
Porque é uma das melhores pizzas da Região Metropolitana.

Vale?
As pizzas são individuais, com preços entre R$ 20 e R$ 30. Vale.

Onde fica
Grazie Napoli | R. das Aroeiras, 317, Santo André, 4432-2308. 18h/23h (6ª e sáb., 18h/1h; dom., 18h/23h. Fecha 2ª).
Cc.: M e V

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