Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Don’t shoot me, I’m only the piano player

19 abril 2013 | 00:44 por Luiz Américo Camargo

O sr. Mario Edison não entra na cozinha. Tampouco participa da dinâmica do serviço. Mas vai dizer que ele não é parte da experiência de ir ao Fasano? Um dos decanos do piano na noite de São Paulo, ele é um dos poucos instrumentistas de sua classe a permanecer na ativa, em restaurantes de destaque. Tentei puxar pela memória, recorri a pesquisas. E me ocorreram o Mastroianni, do Santo Colomba, o Helder, do Amadeus. Os vários músicos das casas de Walter Mancini. E não muito mais.

Hoje, sexta, dia do ‘Garçom: a música’ aqui no blog, me ocorreu de falar não de trilhas gravadas ou de ‘ruídos’, mas de melodias executadas ao vivo. É curioso – eu já fiquei observando – notar que os comensais mais jovens não ligam tanto para o profissional que fica ali, dedilhando o teclado. Mas os mais velhos, não. Gostam, se emocionam. O repertório, sempre trafegando pelo universo dos standards (da canção americana, da MPB, da bossa nova, do jazz), talvez seja repetitivo. Não penso, por outro lado, que o público desses restaurantes esteja ali em busca de rupturas. O que se quer  mesmo é o conforto do território conhecido, esteja o set list em sintonia com nossos anseios estéticos ou não. O easy listening ajuda na refeição? Eu não sei. Porém, acredito que ele faça parte de um estilo de acolhimento, de uma proposta de restauração. Cria um clima ‘fino’, como se dizia.

Nesses restaurantes com música ao vivo, cobrando couvert artístico ou não, só sei que não consigo ir embora sem fazer uma mínima reverência ao artista na hora da saída (e eles respondem, com um aceno de cabeça, sorriso altivo). Questão de respeito.

Ficou com água na boca?

Juro que não lembrei mesmo de outros pianistas. Quem puder contribuir…

(Obs: o título é citação de um disco famoso dos anos 70. Não tem vírgula no original. Mas eu não resisti)