Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

E viva a água mineral

08 janeiro 2009 | 21:20 por Luiz Américo Camargo

Beber vinho em restaurante virou um negócio complicado. Os tintos, brancos e congêneres andam caros (os restaurantes, como um todo, andam caros), temos a lei seca etc e tal. Mas eu ando incomodado, mesmo, é com a política de vinho em taça da maioria das casas. Vender a bebida em copo, num momento de preços altos e restrições etílicas, não seria uma medida a ser incentivada? Eu creio que sim e, de uns tempos para cá, parecia até que o panorama ia mudar. Mas as opções, em geral, são caras e ruins. Por que um bom exemplar não pode ser servido em dose? Não estou falando de grandes vinhos, mas de coisas simples, com frescor, bem vinificadas. Algo do Loire, do Languedoc, Chianti, vinhos de verdade, sem tanta madeira, sem tanto anabolizante. Restaram-nos os sulamericanos mais fuleiros, aquelas bombas de fruta e álcool (como diz o Luiz Horta) enjoativas, vendidas a R$ 15, R$ 20 a taça, os ‘doções’ com gosto de coco. Pedir uma garrafa? Só se o sobrepreço compensar, o que anda cada vez mais raro, e apenas se você não estiver dirigindo (lembre-se, há cada vez mais bafômetros por aí). Na maioria das vezes, tenho ficado na água mineral, por pura birra – por que pagar caro num vinho que, de tão concentrado, não dá vontade nem de ser bebido até o fim? Ah, sim, por favor: a minha é sempre sem gás.