Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Em treinamento

16 julho 2013 | 12:42 por Luiz Américo Camargo

Tenho um estranho ímã para atrair, digamos, funcionários em treinamento. Em outros tempos, eu até costumava brincar que, de fato, o País deveria estar mesmo vivendo um momento de emprego pleno, com novas vagas sendo geradas todos os dias (sabemos que a situação anda bem diferente e que 2013 não está fácil). Mas era comum eu sempre ser atendido por alguém “começando hoje”. O tipo de atendente que precisa consultar alguém mais experiente a todo instante sobre o que precisa ser feito, que não sabe responder às dúvidas do cliente… O que não é um problema em si: as pessoas precisam trabalhar, precisam ser ensinadas. Se isso não comprometer a refeição, então está tudo bem. Só que acaba não funcionando assim. E, no fim, fico mesmo é espantado como proprietários e gerentes conseguem colocar funcionários tão crus já na linha de frente.

Essa minha sina (talvez a palavra seja muito forte, mas vamos em frente) tem se repetido, ultimamente, na hora de tomar café. No balcão, mesmo, em empórios, ou cafeterias, lugares de vários níveis. E o cafezinho, claro, oscila – especialmente no caso de lugares cujo serviço eu conheço melhor. E aí eu pergunto: é justo cobrar o mesmo preço, “a tabela plena”, por um produto que não é entregue no melhor da sua performance? Em todos esses anos escrevendo sobre comida, apenas em três ocasiões eu vi restaurantes – novos – dando algum desconto nas contas por “ainda não estarem 100%”. Faz sentido. Se a qualidade, reconhecidamente, não está no seu melhor, o pagamento não deveria estar no seu maior. Só que é raro.

Mas o cafezinho(s) ao qual eu me refiro, continua pelo “preço cheio”. Seja ele tirado do jeito certo, seja do mais ou menos.

Ficou com água na boca?

Citei rapidamente o momento econômico no primeiro parágrafo e acho que vale aproveitar o post para outra observação. A fase não é das mais exuberantes, já deu para ver – estou falando de restaurantes, mais especificamente. Sei que estamos em mês de férias escolares e tudo o mais. Mas tenho tido extrema facilidade de encontrar lugar em variadas casas nas últimas semanas. Quase a ponto não precisar de reserva. Tenho visto estabelecimentos grandes com salões pouco ocupados. Tenho visto lugares novos sem o burburinho costumeiro – ao menos, sem aquele que é produto de um hype que sempre pareceu natural. Não anda bem.

Não vou simplificar a questão e debitar tudo aos preços, que andam altos, que espantam cada vez mais a clientela, e isso já não é de hoje, embora o peso desta variável seja grande. Ou atribuir só à segurança – os arrastões seguem e, a menos que o serviço de inteligência da polícia esteja nos bastidores bolando grandes mobilizações, eu diria que nada tem sido feito. Ou à lei seca. Ou às férias. Tem um conjunto todo, um caldo muito mais complexo, que precisa ser desvendado. Eu vou voltar ao tema numa outra ocasião, para ir além dos achismos. Para ir além das sensações – como a surpresa de ver, cada vez mais frequentemente, um restaurante badalado só com meia casa, numa sexta à noite.