Paladar

Encoste no balcão e divirta-se

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Encoste no balcão e divirta-se

10 julho 2013 | 21:16 por Luiz Américo Camargo

No Minato Izakaya é natural que suas primeiras escolhas sejam feitas a partir do cardápio, numa espécie de aclimatação. Outras coisas, no entanto, serão propostas pelos cozinheiros. Mas é mais provável que a maioria das inspirações termine por vir justamente dos pedidos dos vizinhos de balcão. Pois fica tudo ali, à vista de todos, quase como numa refeição coletiva.

Aberto há um mês, no trecho final da Rua dos Pinheiros (mais perto da Faria Lima e ainda pouco explorado pelos restaurantes), o Minato tem alma de izakaya, mas faz as vezes de sushi-ya. E, pela configuração da casa, com dois balcões paralelos de dez lugares cada um, todo mundo se vê e se ouve. Congraçar com a clientela, portanto, acaba sendo algo espontâneo, o que estimula uma cordial troca de figurinhas sobre pratos e bebidas – embora sempre haja o risco de sentar ao lado de algum frequentador mais loquaz do que você desejaria. É do jogo.

Ficou com água na boca?

Minato Izakaya. Nos balcões paralelos, todo mundo se vê e se ouve. FOTO: Epitácio Pessoa/Estadão

Sergio Kubo, o sempre cordato sushiman que trabalhou por anos no Hideki, cuida da cozinha fria e é um dos proprietários. Ele prepara niguiris delicados, com bolinhos de arroz pequenos e cortes delgados (gostei particularmente da cavalinha marinada e do carapau). E serve ostras muito bem selecionadas, trazidas de Florianópolis, (R$ 25, porção com 6), potencializadas pelo molho da casa, com shoyu, limão e vinagre.

O outro sócio é o expansivo Fabio Koyama, que percorre os balcões cumprimentando os visitantes e oferecendo pratos quentes, inclusive sugestões fora do cardápio – que podem ser ao estilo tradicional, como a berinjela marinada (R$ 10) e o buta no kakuni (a barriga de porco cozida, R$ 20). Ou menos ortodoxas, como a pimenta cambuci recheada com shimeji e atum (R$ 10) e o corte de gado wagyu do dia, que muda conforme o suprimento – numa das visitas, comi uma ponta de agulha na chapa acompanhada por creme de abacate com pimenta dedo-de-moça.

No balanço geral, o Minato acolhe bem seu público. O que, dentro da ideia do izakaya, tem a ver não apenas com a fidelidade a um receituário, mas com a criação de uma atmosfera. O entusiasmo da dupla de sócios irradia para os comensais, que por sua vez correspondem provando de tudo, venha a sugestão da bancada fria ou do fogão. De parte a parte, enfim, parecem se divertir com a comida. O que anda fazendo falta no mercado, convenhamos.

Por que este restaurante?
Porque é uma nova e honesta opção de izakaya, não apenas com cardápio de bar, mas com sushis e sashimis.

Vale?
Vale. A conta é manobrável conforme o tamanho de sua fome (e a profundidade de sua sede, embora a oferta de saquê, shochu e cerveja não seja muito variada). Pequenos pratos e porções variam entre R$ 5 e R$ 35. Duplas de niguiri ficam entre R$ 8 e R$ 25. Há menus-degustação de R$ 80 e de R$ 120.

SERVIÇO – Minato Izakaya
R. dos Pinheiros, 1.308, Pinheiros
Tel.: 3814-8065
Horário de funcionamento: 18h30/0h (Fecha dom.)
Cc.: D, M e V

Correção: na edição impressa deste texto, o sobrenome do chef Fabio foi escrito de forma errada. O colunista pede desculpas pelo engano.

 

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