Paladar

Hospitalidade à coreana

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Hospitalidade à coreana

09 julho 2014 | 21:07 por Luiz Américo Camargo

Regina Hwang é anfitriã, chef e parece capaz de se multiplicar. Ela entra na cozinha para supervisionar os pedidos. Retorna ao salão para ver se todos estão sendo bem atendidos. De repente, vinda não se sabe de onde (será que usando uma passagem secreta?), ela aparece por trás do comensal, ensinando o jeito de provar cada especialidade, orientando a disposição dos pratos sobre a mesa: a tigela de arroz à esquerda; o item principal, mais à direita; as porções de banchan, os acompanhamentos, um pouco mais à frente. Segundos depois, está no caixa, fechando a conta, querendo saber se as pessoas comeram bem. É assim que ela comanda o Portal da Coreia.

Bibimbap. Regina Hwang finaliza o típico arroz com legumes e carne . FOTO: Rafael Arbex/Estadão

Ficou com água na boca?

Aberto há cinco anos na Liberdade, o simples e acolhedor restaurante traça um painel da culinária coreana balanceando o típico, o clássico e o trivial. Seu cardápio não é dos mais extensos, mas nem por isso é limitado. Traz uma alentada seção dedicada ao bulgogui, o churrasco da Coreia, e suas variantes; abarca caldos, massas, petiscos, frutos do mar.

Contenta quem não é muito fanático por pimenta com opções amigáveis (e quase já incorporadas ao cotidiano de São Paulo), como o dorsot bibimbap (R$ 34), o arroz com carne e vegetais servido em panela de pedra. E agrada aos que não temem o ardor, com sugestões como a costelinha de porco cozida no caldo de gochujang (R$ 33), a pasta de pimenta malagueta.

Mas vejamos o que seria uma boa sequência de introdução ao restaurante. Para começar, uma dezena de tin mandu (R$ 29), delicados pasteis feitos no vapor, com recheio de camarão (ou carne de porco) com legumes. E uma hemul phajon (R$ 30), a caprichada panqueca coberta por lula, camarão, mexilhão, cebolinha e pimentão. Como principais, um possante kimchichige (R$ 32), caldo apimentado de kimchi com tofu e barriga de porco, onde se percebem salgados, doces, azedos e (muitos) picantes. E uma porção de ori los (R$ 37), o peito de pato cortado finamente, que você mesmo finaliza na chapa à mesa, com manteiga, óleo de gergelim e sal. Basta dar o ponto da carne da ave, enrolar numa folha de alface e devorar, intercalando com os banchans do dia (geralmente, broto de feijão, massa de peixe, kimchi, agrião refogado, tofu). Não entendeu? Então, chame Regina Hwang. Ou recorra aos garçons, prontos para ciceronear a clientela.

Por fim, mas sempre digno de nota, em se tratando de restaurantes coreanos: o Portal tem o melhor sistema de exaustão que conheço entre os estabelecimentos do estilo. O risco de sair – você mesmo – defumado é menor.

Por que este restaurante?
Pela boa cozinha coreana, com pratos fartos e a bom preço.

Vale?
O ideal é dividir: a maioria dos itens custa entre R$ 30 e R$ 40 e as porções são grandes. Na média, dá para comer bem gastando por volta de R$ 50 por cabeça, sem bebidas. O prato mais caro é o haemul jongol (R$ 109), uma caldeirada de frutos do mar para compartilhar. A casa não tem serviço de valet e compensa mais ir de metrô, descendo na Estação São Joaquim.

SERVIÇO – Portal da Coreia
R. da Glória, 729, Liberdade
Tel.: 3271-0924
Horário de funcionamento: 12h/14h30 e 18h/22h (fecha dom.)
Cc.: D e M
Estac.: não tem

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 10/7/2014

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