Paladar

Irmãos de grelha e balcão

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Irmãos de grelha e balcão

06 novembro 2013 | 23:43 por Luiz Américo Camargo

Muita coisa vem mudando na Liberdade. Estabelecimentos fecharam e abriram, novas levas de imigrantes orientais se estabeleceram, empreendimentos imobiliários não param de ser planejados e executados. A despeito de tudo isso, Hitoshi Tanji continua virando ritualisticamente suas anchovas sobre a grelha. E seu irmão Satoshi permanece manipulando com placidez sushis e sashimis no balcão do Kaburá, às portas de completar 30 anos.

Fundada como izakaya (o boteco nipônico), tornada restaurante ao longo dos anos pela força e pela abrangência de seu cardápio, a casa dos irmãos Tanji faz uma espécie de pot-pourri de vários estilos culinários – embora seja mais conhecida pelos grelhados e robatas. Naturais de Fukushima, os sócios cozinheiros acabaram se destacando também pelo horário tardio de atendimento, algo raro entre os japoneses da cidade, e que não funciona só da boca para fora. É possível chegar à 1h e ser bem recebido.

Ficou com água na boca?

Kaburá. Balcão confortável, para quentes e frios  FOTO: JF Diorio/Estadão

Se a variedade de opções leva a uma certa indecisão, eu proponho um começo: uma porção de kimpirá gobô (R$ 3,50), a bardana refogada, sempre presente entre as otoshis do dia; e o aguedashi tofu (R$ 19), uma restauradora cumbuca de caldo dashi com tofu frito, nabo ralado, lascas de katsuobushi (o peixe bonito seco). E recomendo uma sequência óbvia: os grelhados, de preferência de onde seja possível avistar Hitoshi Tanji dominando brasas e tempos, servindo robatas como a de shiitake (R$ 6) e a de berinjela com molho de missô (R$ 8). E, em particular, preparando a já famosa anchova, inteira, feita caprichosamente só no sal (R$ 70 a R$ 150, dependendo do peso, para compartilhar).

Mas o Kaburá é também um lugar confiável para a cozinha nipônica fria, embora não alimente as pretensões de expertise de um sushi-ya. Seus peixes e moluscos são os bons da temporada, sem grande variedade, mas atendendo ao essencial. O arroz, tépido e equilibrado, não tem tratamento de iguaria. Porém, os niguiris de Satoshi-san, graúdos e um tanto puxados no wasabi, são o que costumo chamar de convenientes para o sushi de combate. Pargo, buri, robalo, polvo e outros tantos, a preços bastante razoáveis, a partir de R$ 7 a unidade.

Com um ambiente sem luxos, mas confortável, que convida a bebericar, o restaurante e seu serviço, contudo, não são patrulheiros no que diz respeito ao consumo de saquê, shochu, cerveja e afins. Se o visitante quiser só comer, portanto, não tem problema. Mas, até por uma questão de etiqueta, uma dose, ao menos, é de bom tom.

Por que este restaurante?
É um endereço com alma de izakaya e extenso cardápio de restaurante, que vai chegando aos 30 anos. Uma boa opção para pratos japoneses bem feitos e honestos, grelhados em especial.

Vale?
Os gastos podem variar bastante, conforme a composição do pedido. Provando opções diversas, entre pratos frios e quentes, e compartilhando, dá para comer bem gastando entre R$ 50 e R$ 100 por pessoa, sem bebida. Mas pagando só em dinheiro ou cheque.

SERVIÇO – Kaburá
R. Galvão Bueno, 346, Liberdade
Tel.: 3277-2918
Horário de funcionamento: 19h/1h30 (fecha dom.)
Cc.: não aceita
Manob.: não tem (estacionamentos na própria R. Galvão Bueno)

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 7/11/2013

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