Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Longe do centro, no topo do mundo

27 abril 2010 | 09:26 por Luiz Américo Camargo

René Redzepi, o chef do Noma, anunciado ontem como número 1 da lista da revista Restaurant, deu sua primeira entrevista ao Paladar (ele apareceu em outras reportagens) em 2007, se não me engano. Ele já era uma ‘jovem promessa’, uma espécie de cozinheiro capaz de catalisar elementos díspares como: as matérias-primas do norte da Europa, com seus cogumelos e carnes peculiares; a tradição, digamos, viking, com seus peixes salgados e defumados; as técnicas de vanguarda, já que ele mesmo teve uma passagem pelo El Bulli.

À época, ficamos bastante impressionados com a argúcia do chef, alguém que parecia trazer um combustível refrescantemente novo para uma máquina voraz e faminta – a indústria da gastronomia. Não vou entrar aqui nos critérios da revista, nos detalhes da votação (até porque não os conheço). Mas acho interessante que o Noma – que, infelizmente nunca visitei – tenha chegado ao topo. Acho que sua ascensão carrega uma interessante mensagem, com a qual pode ser feita uma analogia com o próprio Bulli. Assim como Ferran Adrià fez sua revolução partindo não de Paris (nem de Barcelona), mas de um lugarejo na Catalunha, Redzepi atinge o top mundial a partir de Copenhague – quem não é Londres, Paris, Milão ou Berlim. E sem mudar muito suas propostas ou seu jeito de trabalhar.

Não é inspirador, para quem, em tese, está fora do eixo tradicional do Ocidente?
(A lista dos 50, que inclui a admirável ascensão do D.O.M., agora em 18º, você encontra ali no meu vizinho, o blog do Paladar)

Ficou com água na boca?