Paladar

Mais singular, menos italiano

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Mais singular, menos italiano

03 junho 2015 | 18:29 por Luiz Américo Camargo

O Pomodori está diferente. Renovou o ambiente, aumentou a cozinha e alterou o cardápio. Pela primeira vez desde a abertura, em 2003, o eixo se desloca da Itália para um repertório mais contemporâneo. Tássia Magalhães, chef e proprietária, já vinha fazendo um bom trabalho desde que assumiu os fogões, há dois anos. À época, seguiu o receituário vigente mas, aos poucos, promoveu sutis mudanças, revigorando o movimento no salão.

Há alguns meses, quando me preparava para publicar uma resenha sobre a evolução do restaurante, o Pomodori fechou para reforma. O que eu escreveria, naquela ocasião? Que a chef vinha achando o caminho de fazer comida com sabor sem perder a delicadeza. E que, correndo pequenos riscos, ela usava o repertório italiano para se diferenciar a partir de escolhas menos usuais.

Reforma. Com ambiente renovado e menu novo, casa vive boa fase. FOTO: Nilton Fukuda/Estadão

Na novíssima fase, Tássia Magalhães quer afirmar a sua singularidade. Dividiu o menu em duas partes: uma autoral, com sugestões novas, e outra com “clássicos” da casa. Vou me ater às novidades. Uma primeira constatação é que os pães do couvert (R$ 15), feitos ali mesmo, melhoraram muito – embora pudessem ser servidos sem a prévia adição de azeite, o que deveria ficar a cargo do comensal.

Entre todas as etapas das refeições, as entradas foram as menos empolgantes. A temática “tomates” (R$ 27), por exemplo, com as variedades pera, amarelo e italiano, mais leite de búfala, manjericão, água de tomate e guanciale, sofre especialmente pela qualidade do ingrediente principal. A terrine de foie gras (R$ 43) com marmelada de ruibarbo, torrada e sagu de vinho do Porto, por sua vez, incomoda por ter o tamanho de uma tapa e custar como um prato. Os principais, por outro lado agradaram mais.

O fusilli com molho de polvo, pancetta e linguiça (R$ 64), uma receita inspirada no novaiorquino Marea, tem mordida muito boa e sabor intenso. O atum com beterraba marinada, mandioquinha, geleia de gengibre e cuscuz (R$ 84) é extremamente bem selado. O bife de chorizo, preparado na char broiler, chega à mesa suculento e faz uma boa tabela com o picles de abobrinha. Faltou equilíbrio, entretanto, à barriga de porco com doce de batata doce, uma das opções do menu executivo (R$ 59). Ainda que o termo doce estivesse em destaque no enunciado, o excesso de açúcar torna difícil a fruição até o fim.

No cômputo final, é admirável que a chef já consiga tal performance aos 25 anos. O novo cardápio, no entanto, talvez revele uma espécie de, digamos, pudor com a simplicidade. Há ingredientes e informações demais, produzindo ruídos não apenas em alguns dos itens já citados, mas em boas sobremesas como o bolo cremoso de milho, amoras frescas, purê de amora, maçã verde caramelizada e creme de baunilha brulê (R$ 29). Precisava tanto?

Por que este restaurante?
Pela nova fase da casa.

Vale?
O executivo, de segunda a sexta, custa R$ 59. Pedindo pelo cardápio, a refeição completa, de ponta a ponta, sai em torno de R$ 150, sem bebidas. Vale conhecer.

SERVIÇO – Pomodori
R. Dr. Renato Paes de Barros, 534, Itaim-Bibi
Tel.: 3168-3123
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (6ª, até 0h30; sáb., 13h/16h e 19h/0h30; dom., 13h/17h)
Manobrista: R$ 20
Ciclofaixa mais próxima: Av. Pres. Juscelino Kubitschek

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 4/6/2015

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