Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Na dúvida, vá de sobremesa(s)

19 maio 2011 | 11:20 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 19/5/2011

É uma tendência, uma moda, uma febre? Não sei o nome do fenômeno. Mas o fato é que os espaços que misturam rôtisserie e restaurante continuam aparecendo pela cidade. O novo St Honoré, aberto no Itaim Bibi, segue na mesma trilha, desta vez num estilo afrancesado. Sua inspiração está nos traiteurs parisienses, mas com uma proposta que une padaria, confeitaria e loja de vinho, num ambiente bonito e caprichado.

A razão da nova onda? Talvez a rôtisserie seja a possibilidade de comer em casa pratos feitos profissionalmente, porém sem ter de pagar por águas e vinhos caros, serviço e outras despesas. Ou quem sabe seja uma nostalgia de refeições domésticas, ainda que abrindo mão de cozinhar. Mas não vou fazer ilações. Vou me concentrar no que acontece no restaurante.

Ficou com água na boca?

O estabelecimento tem três sócios. Ida Maria Frank (restauratrice do Due Cuochi e do Le Marais), Wagner Resende e Amanda Lopes (pela ordem, chef e chef pâtissière do Le Marais). Seu DNA, portanto, é o do Le Marais, o que fica muito evidente na construção de sabor dos pratos e em particular nas sobremesas – ainda que o cardápio seja curto e, no discurso, menos pretensioso.

A cozinha envereda por algo que eu chamaria de francesa tradicional com desvios de rota. Não é a rigor o estilo bistrotière, pois o pendor é mais para a cuisine clássica, uma linguagem que o chef Resende exercita desde os tempos de La Brasserie Erick Jacquin. Mas que ainda carece de harmonia no St Honoré.

Falando então de alguns itens provados: o tartare de tomate com burrata e agrião (R$ 25) tem uma timidez de sabor que atrapalha a fruição da entrada, inclusive seu frescor. A pescada amarela (R$ 50) é preparada no ponto, mas comprometida por sua guarnição, o pouco expressivo tagliatelle de azeitonas. O gigot d’agneau (R$ 56), por sua vez, é bem executado, com a carne de cordeiro (recheada com azeitonas) tenra, porém acompanhado por feijões brancos que deveriam estar mais firmes. Já o entrecôte “café de Paris” com fritas (R$ 52) evoca uma variação do molho à base de manteiga e ervas servido no famoso Café de Paris, em Genebra. Há reparos, portanto.

Mas eu gostei do goulash servido no menu do almoço (R$ 34; o executivo muda diariamente), simples e honesto. E me diverti com as sobremesas, que são escolhidas na vitrine da entrada: o mil-folhas (R$ 12), a torta ‘intensa’ de cacau (R$ 9,50), o quindim (R$ 9). Todas boas. Só achei que o éclair de chocolate (R$ 10) que a chef Amanda fazia no La Brasserie era mais leve e delicado que o atual.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade.

Vale?
Se você quiser fazer uma refeição à maneira tradicional, da entrada à sobremesa (sem vinho), vai deixar os famosos R$ 100 que viraram regra na capital (e não estou falando de alta gastronomia). Pelo que comi, acho um tanto desequilibrado. O menu executivo do almoço (duas opções por dia), por outro lado, a R$ 34, é atraente. Mas minha sensação é de que um café da manhã, ou um lanche, com bons pães, croissants, etc, seguidos por doces, compensam mais o programa.

St Honoré
R. Pais de Araújo, 185, Itaim Bibi, 3071-2932. 8h/22h. Cc.: D, M e V. Cardápio: conciso, de acento
francês. A casa concentra padaria, confeitaria e rôtisserie