Paladar

Na mesa do bar (à vin)

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Na mesa do bar (à vin)

21 julho 2010 | 01:25 por Luiz Américo Camargo

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Este é um dos cenários mais instigantes de Paris no momento. O das enotecas/bistrôs, que oferecem pratos simples, saborosos, e vendem/servem vinhos a preço honesto, com rótulos muito bem selecionados. Seus proprietários, em geral, são jovens incrivelmente entusiasmados com o universo dos vinhos biodinâmicos e naturais.

No Verré Volé, um lugar apertado, com jeito de boteco, numa bagunça que mistura garrafas, cds e outros badulaques, provei pratos muitos gostosos como rouget com caviar de berinjela; linguiça de Toulose com purê de batatas; carré de porco caipira com legumes. Tudo preparado numa cozinha mínima, dessas de quitinete (sem exagero). E bebi o belo K 2007 acima, dos produtores Dard et Ribo, um branco de Crozes-Hermitage elaborado com Roussane e Marsanne. Um natural que eu jamais descobriria se não fosse a sugestão do gerente/garçom/sommelier.

Ficou com água na boca?

Outro lugar interessante é o Crèmerie, já num estilo mais arrumadinho – mas de salão igualmente apertado. Sua lista de champagnes é notável, vai de pequenos e alternativos vinhateiros  (naturais, obviamente) aos rótulos top de Jacques Selosse, tudo selecionado pelo proprietário Serge Mathieu. A comida, por sua vez, segue mais para a praia do tira-gosto, com terrines, patês, queijos e embutidos – estes últimos, de pequenos produtores, escolhidos em várias regiões da França. Comprei ali um champagne L’Amateur, de David Léclapart – que, por sua vez, foi abatido em Cancale. Mas isso fica para outro post.

Le Verre Volé – 67 Rue de Lancry, 01-48-03-17-34.
La Crèmerie – 9 Rue des Quatre Vents, 01-43-54-99-30.