Paladar

Não esqueça das samosas

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Não esqueça das samosas

09 janeiro 2013 | 22:47 por Luiz Américo Camargo

Veejay Bavaskar, o proprietário do Samosa & Company, é um anfitrião eloquente e objetivo. Basta o cliente chegar para que comece sua explanação. Num bom português, com algum sotaque (ele é de Mumbai), recita as alternativas do almoço executivo e informa os comensais que os pratos são feitos na hora, não tem nada pronto. O que significa, também, que podem demorar um pouco.

A oferta de informações na chegada, contudo, não transmite ansiedade. Parece mais necessidade de concisão: num cardápio variado, nem tão extenso, o restaurante tenta dar conta de receitas de várias regiões do subcontinente indiano. Seu repertório é o dos ‘clássicos internacionais’ da modalidade; assim como sua ambientação, discreta, não foge dos motivos típicos. Mas tudo isso com uma espontaneidade cotidiana que o afasta das atmosferas ao estilo Taj Mahal.

Índia cotidiana. Decoração simples, mas com detalhes típicos. FOTO: Filipe Araújo/Estadão

Aberto em novembro na Saúde, o pequeno estabelecimento é um projeto familiar. Se Bavaskar cuida do atendimento, sua mulher, Deepali, é a cozinheira e principal inspiradora do negócio. Quituteira já conhecida na cidade, morando no Brasil há 14 anos, ela já trabalhou com serviço de bufê e ganhou certa fama com suas samosas, os pastéis indianos triangulares de massa espessa e crocante. A bem da verdade, não há como visitar a casa sem provar uma porção delas (R$ 16), com recheio à base de batatas e curry. Exagerando, é como ir a Sintra e dispensar as queijadas.

Em meio a petiscos, pratos vegetarianos, sugestões com frango e cordeiro (embora o menu indique cabrito), é possível compartilhar itens e sair satisfeito com uma cozinha simples, fresca e potente, que recende a cominho, pimenta, anis e tantas coisas mais. Seja com o almoço executivo (entre R$ 28 e R$ 35), que pode abrir com uma salada com chewda – um mix de flocos e grãos condimentados – e fechar com a sugestão de cozido do dia; seja à la carte, elegendo entradas como a pakoda (R$ 16), o tempurá vegetariano, e principais como o roghan josh (R$ 50), cozido de cordeiro (um tanto fibroso) à base de cebola e iogurte, e o maak ki daal (R$ 28), as lentilhas picantes na coalhada.

O que escolher, o que tem pimenta demais, tudo isso o proprietário esclarece. E num estilo, digamos, participativo. Se um cliente está com dúvidas sobre um prato, ele logo se dirige a uma outra mesa, que fez o mesmo pedido: “Você está gostando, está muito picante? Olha lá, viu só?”. Informalidade à parte, o passeio só não fecha melhor por causa das sobremesas. São apenas duas opções (a R$ 12), o gajjar halva, o doce de cenoura, um pouco melhor; e o gulab jamun, o bolinho de leite aromatizado com água de rosas. Podem ser tradicionais e tal. Mas acho difícil que inspirem sair pela rua assobiando de satisfação – ou cantarolando as melodias circulares do hindipop, trilha predominante na casa.

Por que este restaurante? Porque é uma novidade interessante.
Vale? Com exceção do executivo, as porções são divisíveis (peça para colocar no centro da mesa). Inclusive as guarnições, como o arroz pulav (R$ 22), com legumes e castanhas. É divertido, vale.

Samosa & Company
R. Padre Machado, 137, Bosque da Saúde
Tel.: 4301-7001
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/22h30 (sáb., 12h/15h e 20h/0h; dom., só almoço. Fecha 2ª e 3ª)
Cc.: todos
*Fechado entre 27/1 e 03/2.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 10/1/13 do ‘Paladar’