Paladar

Nipo-peruano com cara da Amauri

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Nipo-peruano com cara da Amauri

01 maio 2013 | 23:12 por Luiz Américo Camargo

Em poucos lugares da cidade a influência do entorno é tão marcante quanto na Rua Amauri. Restaurantes casuais, lanchonetes, italianos, não importa: em menor ou maior grau, todos viram restaurantes da Rua Amauri. A mística não se desfaz nem no caso do Osaka, um nipo-peruano que integra uma cadeia internacional. O vaivém de carrões na porta, a hostess informando que só há lugar na área externa (embora o salão estivesse tranquilo) e a atmosfera dominante dispensam GPS: você sabe onde está. No caso da caprichada ambientação, até isso combina – embora o projeto arquitetônico esteja no padrão da rede Osaka, presente em cinco países.

Olhando com atenção o cardápio, encontramos sugestões frias e quentes, organizadas em diferentes itens e subitens, que aparentemente destacam apenas o Japão e o Peru (e, em especial, o estilo nikkei). Mas, aqui e ali, surgem elementos chineses e tailandeses. O menu, no fim das contas, é tão diverso que pode confundir. Dá para só beliscar ou fazer uma refeição mais substanciosa. Se é para escolher, diria que os pratos quentes são as pedidas mais instigantes, o que já vou explicar mais detalhadamente.

Osaka: menu variado permite beliscar ou fazer uma refeição completa. FOTO: Márcio Fernandes/Estadão

Ficou com água na boca?

No balcão, comandado pelo sushiman Rafael Hidaka, é possível pedir niguiris tradicionais bem construídos e servidos em boa temperatura (pares entre R$ 14 e R$ 28). E variações “Osaka style”, mais caras e por vezes menos equilibradas, como o de kobe beef e o baterá osk, com atum, crocante de tempurá, ovas. Outras sugestões frias, como o tiradito nikkei (porções de R$ 25 e R$ 42) e o ceviche clássico (R$ 46, feito com dourado-do-mar) são delicados, quem sabe até demais, como a subestimar a tolerância do público paulistano à acidez e ao ardor.

Confesso que não senti grande entusiasmo com petiscos, tapas e afins, como as causitas shiromi (R$ 14), os anticuchos de polvo (R$ 18) e o grill ebi tan (crocantes de camarão, entre R$ 22 e R$ 38), inclusive porque as quantidades são marotamente econômicas. Mas fiquei bem mais animado com a cozinha do chef Juan Carlos Arnaiz em principais como o takô panka misso (R$ 42), o polvo confitado e finalizado na grelha, e sakana ishiyaki, o robalo na chapa (R$ 58), aromáticos e de sabor potente. Sobre o peixe, um alerta. Como ele chega fumegando e respingando, proteja-se com o guardanapo (numa das visitas, entrei de camisa azul e saí, digamos, com uma camisa pintalgada de vermelho).

Por fim, com relação às sobremesas, é bom ver alguém exercitando a pâtisserie para além de tiramissu, panna cotta e crème brûlée (nada contra esses clássicos; mas que tal variar?). A lista de postres do Osaka é interessante e propõe boas combinações de doçura, amargor e acidez. Recomendo, no geral, uma boa olhada na carta; e, em particular, o suspiro clássico (R$ 16), com granita de chicha morada, e o Osaka flan, pudim sobre bolo de chocolate e granita de cítricos.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade.

Vale?
Cuidado com os tira-gostos e os sushis especiais. Os pratos quentes e as sobremesas são bons. Mas é difícil comer por menos de R$ 100. Arrisque.

Onde fica – Osaka
End. R. Amauri, 234, Jd. Europa
Tel. 3073-0234.
Horários. 12h/15h e 19h/24h (6ª, das 12h/ 15h e 19h/1h; sáb., 12h/17h e 19h30/1h. Fecha dom.).
Cc.: todos

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