Paladar

Nunca houve um pintxo como Gilda

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Nunca houve um pintxo como Gilda

25 julho 2011 | 09:46 por Luiz Américo Camargo

É como provar mollejas em Buenos Aires. Ou um pastel de natas em Lisboa.

Para mim, para dizer que estou em San Sebastián, preciso comer guindillas vascas, aquelas pimentas verdes de ardor sutil, doçura discreta e sabor delicioso, mais especificamente chamadas de piparras.

Ficou com água na boca?

Elas estão nas bancas de rua, nos mercados e, principalmente, nos bares da Parte Vieja da cidade. Para os bascos, trata-se de um assunto sério, de um produto de origem controlada – o top de linha, segundo eles, vem de Ibarra e de Tolosa. As melhores, dizem os experts, não ultrapassam os 10 cm. Mais ainda: se todas puderem ter 8 cm, é o ideal, pois é quando estão mais tenras.

Em conserva, deliciosamente harmonizadas com azeitonas, anchovas e/ou bonito, as piparras compõem aquele que considero o pintxo mais arrebatador, uma receita (por que não chamar assim?) que tem inclusive nome: Gilda. É o meu carimbo no passaporte: bienvenido a Donostia.

Devorei muitas pimentinhas, assim como tortillas e croquetas. Andar pelos bares e restaurantes do lado antigo de San Sebastián deveria ser uma daquelas práticas consideradas como patrimônio da humanidade pela Unesco.

 

O pintxo Gilda da imagem acima é do La Cepa, sobre o qual falarei melhor em futuros posts. Trata-se de um tira-gosto clássico, cuja invenção é atribuída à Casa Vallés, há mais de 50 anos, e que está presente por toda San Sebastián – lugar que, repito, serve maravilhosamente bem tantos nos botecos quanto nos restaurantes.

(ps: o nome tem mesmo a ver  com o filme estrelado por Rita Hayworth; salgada, picante… captaram?)