Paladar

O clássico, de roupa (quase) nova

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O clássico, de roupa (quase) nova

30 outubro 2013 | 22:42 por Luiz Américo Camargo

Pode ter virado clichê, mas acho difícil falar da Tappo Trattoria sem pensar em expressões como porto seguro; velocidade de cruzeiro; refúgio; e tantas outras que podem causar arrepios em quem, arduamente, tenta escrever escapando dos chavões. Mas às vezes é preciso reafirmar o óbvio: a Tappo funciona bem. E, há um mês, vem sendo conduzida por um novo cuoco, Rodolfo De Santis.

Ao longo de seus sete anos, a casa italiana de Benny Novak e Renato Ades aprimorou a vocação para receitas tradicionais. Pratos do norte, do sul, carnes, antepastos, tudo sempre servido com muito senso de padrão. E consolidou boas práticas na oferta de vinhos e, em especial, no almoço executivo: o que determina o preço da refeição, da entrada à sobremesa, é a escolha do prato principal, diretamente do cardápio.

Ficou com água na boca?

Tappo. Execução precisa de standards e espaço para sugestões autorais. FOTO: Tadeu Brunelli/Divulgação

Sendo tudo tão fluente e descomplicado, é inevitável questionar: com o novo chef, estaria a Tappo abandonando os clássicos e migrando para uma cozinha mais personalista? Benny Novak garante que não. A trattoria, segundo ele, segue na mesma toada, embora uma atualização do menu esteja prevista e o chef De Santis tenha liberdade para propor pratos especiais.

De Santis é italiano da Apúlia, projetou-se no Biondi, inaugurou o Domenico e passou rapidamente pelo Italy. Agora, tem a chance de conciliar duas correntes de trabalho: a execução precisa de standards, um traço marcante dos restaurantes de Novak; e o espaço para algumas sugestões sutilmente autorais. Provei opções de ambas as vertentes e comi bem. Coisas já conhecidas como a entrada ventriglio e fegato di pollo (R$ 23), entre os melhores miúdos de frango da cidade. E sobremesas como o sgroppino e o castagnaccio (R$ 18). Mas quero abrir um outro parágrafo para falar dos “especiais” do dia.

O espaguete fresco com lagosta (R$ 62) tem sabor profundo e cozimento admirável da massa e do crustáceo – úmido, quase cru. (Cocções técnicas num restaurante italiano deveriam ser a regra por aqui, mas não são; então, vale pontuar.) O cavatelli, feito de semolina, vem à mesa com um generoso e equilibrado molho de linguiça (R$ 52). O espaguete (pasta seca) com lagostim e molho de tomate (R$ 55) guarda frescor e aroma capazes de nos transportar à Itália. Tudo muito promissor, o que me leva à seguinte síntese: De Santis ganhou um alicerce e a cosmopolita Tappo, sangue italiano.

Por que este restaurante?
Porque fiz ótimas refeições por lá nos últimos dias. E porque a Tappo, já estabelecida como uma das trattorias mais confiáveis na cidade, parte agora para uma nova fase, sob o comando do chef Rodolfo De Santis.

Vale?
O almoço executivo segue no mesmo esquema, o que significa uma justíssima relação preço/qualidade. Os pratos novos têm preços entre R$ 50 e R$ 60, em sua maioria. Pelo bom nível, vale.

SERVIÇO – Tappo Trattoria
R. da Consolação, 2.967, Jd. Paulista
Tel.: 3063-4864
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h30/0h (6ª até 0h30; sáb., 12h30/16h e 19h30/00h30; dom., 12h/17h; fecha 2ª)
Cc.: todos
Estac.: manob. R$ 25

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 31/10/2013

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