Paladar

O lado pan-asiático da Pompeia

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O lado pan-asiático da Pompeia

07 maio 2014 | 21:00 por Luiz Américo Camargo

Difícil explicar objetivamente de onde vem isso, já que as hipóteses são variadas. O fato é que, não de hoje, a cozinha de influência tailandesa luta contra o estigma de que seria “difícil de pegar” em São Paulo. Não vou entrar nos méritos, mas não deixo de achar surpreendente que o eixo Perdizes/Pompeia, mais associado aos bares, abrigue dois dos poucos representantes dessa modalidade culinária na cidade. Falo do Namga e, especificamente, do Nama Baru, o objeto desta coluna.

O Nama Baru começou pequeno, na Av. Pompeia, onde ficou por quatro anos, com um cardápio que continha boas pedidas e alguns desequilíbrios. No início de 2013, sempre sob o comando do casal Ique Lopes e Talita Vasconcelos, mudou-se para um imóvel bem mais confortável, na R. Barão do Bananal. A estrutura geral está melhor, a cozinha está mais desenvolta e o chef Lopes, ainda que mantenha a Tailândia como referência, parece se inspirar mais em outras preparações asiáticas. E demonstra uma margem de acerto particularmente boa nos petiscos. Como os espetinhos de cana-de-açúcar com carne de porco, nirá e yuzu (R$ 16,20); as trouxinhas de frango e milho, com molho nam pla prik (R$ 19,70); e os rolinhos primavera de porco com cogumelo e molho de ostras (R$ 15,90).

Ficou com água na boca?

Asiático. Ambiente confortável e cozinha desenvolta com bons acertos. FOTO: Felipe Rau/Estadão

Entre os principais, comi um bom atum (selado por fora, cru por dentro) com pó de gengibre, acelga e arroz jasmim (R$ 49,50). Um saboroso hambúrguer suíno (R$ 29,80), com pasta de curry vermelho, amendoim e cebola caramelizada, servido com pão de mandioquinha e belas batatas – descritas no menu como fritas, só que mais para pommes dorées. E gostei ainda do sortido de cogumelos com macarrão de arroz (R$ 45,10), fresco e aromático. Dois pratos, entretanto, destoaram da média, e por motivos bem distintos.

Um é a coxa de pato ao curry vermelho (R$ 54,50, com batata-doce, nirá, arroz jasmim), por exemplo. A sugestão vem à mesa com um molho potente, picante, sem concessões a paladares mais sensíveis, o que é positivo. Mas deixaria o comensal mais feliz se a carne da ave não fosse tão escassa. Já o rib eye grelhado na gordura de pato, com purê de batata com missô e tomate assado com tomilho limão (R$ 45,30) parece estar no cardápio meio por acidente: é uma sugestão sem expressividade e, principalmente, sem contrastes.

Para além da comida, é preciso reconhecer, digamos, a produtividade do serviço. São poucos atendentes, mas educados, bem informados sobre o cardápio e com jogo de cintura nos picos de movimento. À propósito do salão lotado: à medida que enche, a casa tende a ser muito barulhenta. Parece ser uma questão de acústica. Mas acho que, calibrando o volume da música ambiente, já ajuda.

Por que este restaurante?
Porque é um bom representante da culinária asiática na zona oeste.

Vale?
O menu executivo custa R$ 32,90 e inclui bufê de saladas e prato principal. Pela carta, a refeição completa fica em torno de R$ 100 por pessoa, sem bebidas. Vale conhecer – em especial para quem está na região de Perdizes/Pompeia/Lapa.

SERVIÇO – Nama Baru
R. Br. do Bananal, 991, Pompeia
Tel.: 2548-7749
Horário de funcionamento: 12h/15h e 20h/22h45 (6ª e sáb., até 23h45; dom., 12h30/16h30; fecha 2ª e 3ª)
Cc.: A, M e V

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 8/5/2014

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