Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O prato do dia? Só no dia

16 dezembro 2011 | 16:54 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 15/12/2011

É um dos riscos de descrever publicamente um prato, de interpretá-lo. Você fala de uma série de características até que outra pessoa prova a mesma coisa e… não encontra nada do que foi dito. E por várias razões: percepções desiguais de sabor, diferenças de repertório cultural, ou pela mera irregularidade da cozinha. Isso torna uma resenha algo inútil? Certamente não. Até porque ela não é composta só de subjetividades, mas também de observações objetivas. No mínimo, serve como referência, ainda que para divergir.

Mas se a comunicação já não é fácil quando falamos do mesmo cardápio, talvez se complique mais quando tratamos de pratos que variam. O que eu comi, provavelmente você não comerá mais, e vice-versa. Pois é assim no ainda novato Chef Vivi: as sugestões mudam todo dia. Posso até relatar o que experimentei, mas talvez seja mais útil abordar os princípios básicos da cozinha.

Ficou com água na boca?

Quem comanda a casa é a chef Viviane Gonçalves, que morou dez anos no exterior – particularmente em Pequim, onde manteve o contemporâneo Alameda. No Chef Vivi, que ocupa uma pequena casa na Vila Madalena, ela propõe diariamente três ou quatro possibilidades de entradas e de pratos, mais duas sobremesas. As variações transitam por um terreno reconhecível: um peixe, uma carne vermelha, uma sugestão vegetariana e suas guarnições, em geral assados ou grelhados. Sempre o que estiver mais fresco.

Chamam a atenção a boa qualidade dos vegetais, tanto as verduras das entradas como os legumes e tubérculos dos pratos; e a precisão dos pontos de cozimento, especialmente no caso dos peixes. Só não me entusiasmei com as sobremesas – bolos e tortas que me lembraram mais lanche da tarde do que fim de refeição. Para não ficar falando abstratamente, eis algumas coisas provadas: tomates assados, berinjelas grelhadas, cerejas ao forno; abóbora cabotiá com salsa de nozes e minirrúcula; carré de cordeiro com arroz vermelho; filé de namorado com aspargos brancos e brócolis; filé de anchova com batatas assadas. Nada muito complicado, tudo bem contextualizado.

É uma chef, enfim, com filosofia de cozinha. O que não é sinônimo de um trabalho cerebral, hermético. Mas apenas de alguém com uma mensagem gastronômica a transmitir. Vai dar certo? Não sou bidu nem consultor de negócios (cá entre nós, acho que vai). Porém, é ótimo se deparar com um restaurante, entre os que abriram recentemente, que se propõe a não repetir aquele ravióli, aquele risoto, aquela panacota… O Chef Vivi serve o que está a fim de servir. E observando do salão, por trás do vidro, parece que a cozinheira e sua diminuta brigada se divertem com o que fazem.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade interessante.

Vale?
Vale, especialmente no almoço (menu completo a R$ 39,50). No jantar, os pratos são mais caros (R$ 50 a R$ 60), e a refeição chega fácil aos famosos R$ 100/cabeça, sem bebida (a água é cortesia).

Chef Vivi – R. Girassol, 833, Vila Madalena, 3031-0079. 12h/15h e 19h/23h30 (5ª e 6ª, 12h/15h e 19h/0h; sáb., 13h/16h e 20h/0h; dom., 13h/17h. Fecha 2ª). Cc.: todos. Manobrista: não tem.